Leite mantém alta e impacta na inflação do mês de julho
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho ficou em 0,24%, abaixo dos resultados de maio e junho que tinham sido de 0,28% cada um. Em julho de 2006, a taxa variou 0,19%. O índice acumulado este ano, até o mês passado, está em 2,32%, ante 1,73% no mesmo período de 2006.
Em 12 meses, a taxa está acumulada em 3,74%. O resultado do mês passado ficou dentro das estimativas dos economistas ouvidos pela reportagem, que variavam de 0,18% a 0,30%.
Os dados do IPCA, índice oficial usado pelo Banco Central para o regime de metas de inflação, foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A meta central para 2007 é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.
Os produtos alimentícios em julho avançaram 1,27% e os não-alimentícios tiveram deflação de 0,03%. O grupo alimentação e bebidas contribuiu com 0,27 ponto percentual na taxa do mês.
O destaque de alta foi o item leite e derivados, que subiu 11,31% no mês, na comparação com 7,35% em junho, acumulando elevação de 28,49% no ano. Outros itens de destaque no IPCA são empregados domésticos (1,14%), telefone fixo (0,60%), ônibus interestadual (4,78%), cigarro (0,88%) e planos de saúde (0,69%).
Do lado das baixas, o destaque ficou por conta dos combustíveis (-0,98%), sendo principalmente devido à redução do álcool combustíveis, de 6,96%, adicionada pela redução de 0,51% do preço da gasolina. A energia elétrica recuou 3,01%.
O leite e a telefonia fixa devem continuar influindo na inflação em agosto. De acordo com a coordenadora da pesquisa do IPCA do IBGE, Eulina Nunes, “há um resíduo de cerca de 1,5% na telefonia para agosto”. O motivo é que houve reajuste no dia 21 de julho de 2% no valor da assinatura e de 3% nas tarifas de telefonia fixa para móvel e que ainda não foi totalmente captado. “Não há evidências de que inflação possa ficar perto de zero, já que há uma pressão continuada do leite, não vai ter a energia elétrica puxando tanto para baixo e tem a pressão da telefonia” disse.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, avaliou ontem que a falta dos preços dos alimentos no mercado interno, revelada no IPCA, é em parte reflexo do cenário externo.
Stephanes defende que dois fatores têm elevado as cotações dos principais produtos agrícolas: o crescimento da economia mundial e o interesse mundial pela agroenergia.
Assim, a inflação deste mês possivelmente deve superar a de agosto passado, que foi de 0,05%. Eulina observou que o IPAC em 12 meses subiu da faixa de cerca de 3% em que se situou nos períodos terminados em fevereiro, março e abril, para 3,18% em maio, 3,69% em junho e 3,74% em julho.
A alta nos preços dos alimentos deve continuar a pressionar a inflação nos próximos meses. Entretanto, a LCA Consultores avalia que esta pressão será temporária e não afetará a tendência para o resultado do IPCA (usado nas metas de inflação do governo) ao longo dos próximos meses. Em relatório, a consultoria reitera sua projeção de que o IPCA vá subir 3,5% este ano e 3,6% em 2008, ou seja, abaixo das metas estabelecidas pelo governo, que é de 4,5% tanto para 2007 como para 2008.
Produto influi também no IPC de Salvador
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Salvador apresentou, em julho, variação de 0,21%. A taxa foi menor que a observada no mês imediatamente anterior (junho), quando houve alta de 0,22%, e maior que a taxa de julho de 2006, quando o IPC registrou decréscimo de 0,25% nos preços da capital baiana. O IPC-Salvador é calculado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento do Estado da Bahia (Seplan).
A maior contribuição para o leve aumento do mês foi do leite pausteurizado, que subiu 19,10%. Outros produtos que aumentaram foram o leite em pó (6,59%), camisa masculina (4,97%), empregado doméstico (1,27%), CD (4,18%) e carne seca (3,50%). Por outro lado, as maiores pressões de queda da inflação foram de álcool combustível (5,71%), cebola (26,06%), excursão não-escolar (2,42%) e excursão de navio (5,02%).