Entressafra reduz produção em 50%

10/08/2007

Entressafra reduz produção em 50%

A crise do leite chegou à tradicional região agropastoril de Itapetinga, maior bacia leiteira do Norte e Nordeste, a 562 km de Salvador. Com rebanho estimado em 1,2 milhão de cabeças, a região, afetada pela seca, está no período de entressafra e já contabiliza redução de 50% na produção.

Em vez dos históricos 600 mil litros coletados na sede e nos outros 11 municípios que formam a bacia, laticínios, cooperativas e supermercados disputam apenas 300 mil litros.

A quantidade é considerada insuficiente para atender a uma demanda crescente ante o desabastecimento na Bahia e em outros Estados. Aí é que entra, segundo os produtores, um dos fatores que geram alta excessiva no preço final.

E as notícias desagradáveis para o consumidor não param. Com a elevação do custo de coleta por litro subindo de R$ 0,04 para R$ 0,09, não existe a perspectiva de queda nos próximos dois meses, segundo o diretor da Cooperativa de Produtores de Leite de Itapetinga (Cooleite), Cláudio Murilo Cardoso.

A cooperativa tem 130 fornecedores, número que já foi maior nos últimos anos, mas a diretoria não associa a redução ao abandono da atividades por alguns produtores. Prefere acreditar, dentre outras coisas, que os que saíram estão filiados a associações. “No período de safra, nós da cooperativa chegamos a coletar entre 10 mil e 30 mil litros, enquanto que, na entressafra, a coleta é de pouco mais de quatro mil litros com o veículo percorrendo a mesma quilometragem, porém o preço pago ao vendedor continua inalterado”.

Cardoso justifica a elevação dos preços em detrimento à queda de produção, apresentando outros argumentos, como as sucessivas quedas do custo do leite quando do advento do Programa Fome Zero. “Há mais de dois anos o produto sofre baixa de preço e já caiu de R$ 0,50 para R$ 0,33”.

Ele reconhece que a alta foi súbita, porém observa que tanto o leite como a carne estavam com preços estabilizados, e o produtor é quem sustentava os prejuízos. “O produtor e a indústria levam a menor fatia, e quem mais lucra é quem recebe o produto pronto".

Cenário externo também influi para a escassez

O corte de subsídio e a falta do produto em certas partes do mundo contam para a elevação dos preços do leite, observa o diretor da Cooleite, Cláudio Murilo Cardoso. “O Brasil passou a exportar, e isso também afeta o mercado consumidor interno, porque a Bahia produz menos que o consumo e esse é mais um fator que favorece o aumento de preço, porque não recebemos leite de fora”.

As condições desfavoráveis ao produtor de leite faz com que muitos abandonem a atividade para apostar em culturas emergentes na região, a exemplo do plantio de cana-de-açúcar para produção de álcool.

“Muitos empresários estão abandonando a atividade porque vislumbram saída em outros setores, como biodiesel e álcool de cana-de-açúcar. Estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul estão inseridos nesse processo e a Bahia ao fica de fora".

JUSCELINO SOUZA