Bahia subsidia compra de semente de dendê

09/01/2003

Bahia subsidia compra de semente de dendê

 

A Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) investiu R$ 500 mil para disponibilizar aos produtores baianos de dendê um total de 2,4 milhões de sementes selecionadas da cultura. Subsidiadas pelo governo, elas estão sendo oferecidas ao preço de R$0,22 a unidade. 0 primeiro lote de 400 mil sementes, será comercializado a partir da próxima semana, através da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira).

O objetivo da iniciativa é fomentar, ao longo dos próximos cinco anos, o plantio de 12 mil hectares de dendê na Bahia, a partir do uso de sementes selecionadas da variedade híbrida Tenera, que tem maior produtividade. Com uma área atual de 40 mil hectares, o estado dispõe de apenas 12 mil hectares efetivamente cultivados. A área restante é de Mata Atlântica, com registro de plantios surgidos de forma espontânea.

"Mesmo as plantas que pertencem à área cultivada estão com idade avançada e não têm recebido os tratos culturais necessários à garantia de uma boa produtividade", consta o diretor de Desenvolvimento da Agricultura da SEAGRI, Augusto Mesquita. Ele, também coordena o Protocolo do Dendê, firmado em 1999 entre o Estado e agroindústrias do setor, com o objetivo de buscar a revitalização da dendeicultura na Bahia

A partir da nova variedade, produzida a partir de material genético oriundo da Malásia e Costa do Marfim, a SEAGRI espera que as plantações baianas passem a registrar um rendimento de óleo na polpa entre 20 e 22%, contra os 10 a 12% verificados na variedade Dura, utilizada atualmente. "Com a agregação da nova área plantada, esperamos sair da produção atual de 15 mil toneladas de óleo por ano para 48 mil toneladas", calcula Mesquita, que prevê um prazo de oito anos para que os novos plantios, atinjam o seu potencial pleno de produção

Além da parceria firmada com as quatro empresas processadoras de dendê instaladas no estado - Óleo de Dendê (Oldesa), Óleo de Palma (Opalma), Mutupiranga Industrial e Jaguaripe Agroindustrial - que vão adquirir 150 mil sementes deste primeiro lote, a Seagri pretende atrair novos empresários para, o setor. Para isso, aposta em atrativos como a elevação do preço de venda do óleo de dendê no mercado internacional'

Segundo Mesquita, enquanto a cotação média do produto nos últimos 20 anos foi de R$ 365 por tonelada, o valor pago encontra-se atualmente na casa dos R$ 400/t.

Segundo óleo mais prgduzido no mundo e primeiro em exportação, o óleo de palma, como também é conhecido, movimenta, anualmente, negócios da ordem de US$ 30bilhões em todo o mundo. A, Malásia é o maior produtor mundial, com 3 milhões de hectares plantados e uma produção de 22 milhões de toneladas de óleo por ano. O país não comercializa sementes para o Brasil. Os seis lotes oferecidos pelo governo baiano até o final deste ano foram obtidos em troca por sementes de cacau produzidas pela Ceplac. No Brasil, o único produtor de sementes de dendê é a Embrapa de Manaus, que cobra R$ 1 por unidade.

 

Mariana Carneiro de Salvador
mcarneiro@gazetamercantil.com.br

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