Fruticultura nos Estados - Caminhos da Fruticultura

13/08/2007

Fruticultura nos Estados - Caminhos da Fruticultura

“Três jovens percorreram os principais pólos de fruticultura a partir do Espírito Santo para traçar cenário realista, visando à implantação de pólos frutícolas em Goiás”.

Beth Pereira

A Expedição Caminhos da Fruticultura, idealizada pelos universitários Glauber Pires Ferreira (23), Reginaldo de Carvalho Gomes (27) e Daniel Custódio Lopes de Oliveira (23), alunos do curso de Agronomia da Universidade Rio Verde, saiu de Rio Verde (GO), com os três a bordo de uma caminhonete, no dia 18 de dezembro do ano passado, com um duplo propósito: fazer uma análise do setor, visando adquirir conhecimentos verticalizados da cadeia de fruticultura brasileira e coletar informações para elaborar a monografia de conclusão de curso.
A expedição terminou no dia 22 de fevereiro e, desde março, os alunos fazem parte da Comissão Estadual de Fruticultura do Estado de Goiás, órgão que congrega representantes de várias entidades do Estado. “Estamos apresentando o cenário do setor, com base nos dados coletados e discutindo sobre as possibilidades de instalação de vários pólos de fruticultura em Goiás”, conta Ferreira, acrescentando que a idéia é começar organizando os produtores de citros, uvas e, depois, ampliar para outras culturas. Atualmente, o Estado só tem um pólo organizado, o de melancia, em Uruana, que exporta a fruta para a Argentina.
A viagem durou 67 dias, tempo em que os estudantes percorreram 17 mil quilômetros, passando por 14 Estados, 61 empresas, 49 fazendas e 35 packing houses. O resultado foi a formação de um grande banco de dados do setor, composto por fotos, entrevistas e filmagens. “Conseguimos englobar todos os elos envolvidos direta e indiretamente com a cadeia produtiva da fruticultura”, afirma Ferreira. Ele e os outros integrantes do grupo sempre tiveram interesse na fruticultura, que é incipiente em Goiás, tanto que tiveram de fazer estágio fora do Estado, em órgãos de pesquisas e empresas da Bahia e de São Paulo.
O projeto contou com o apoio de prefeituras do estado de Goiás, Universidade de Rio Verde, Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo) e Instituto Brasileiro de Frutas - IBRAF, “que foi o grande intermediador da nossa entrada nas empresas”, diz Gomes.

CENÁRIO REALISTA
No percurso, muitas paradas: em empresas e produtores de portes e perfis diferenciados, portos, aeroportos e grandes projetos de irrigação dos pólos produtores de frutas do semi-árido nordestino. “Para traçar um cenário mais realista sobre o setor, definimos, como foco principal, grandes empresas e alguns projetos de agricultura familiar”, explica Gomes. Com profissionalismo e tecnologia, é possível melhorar a produtividade e instalar novos pólos de fruticultura no País, como em Goiás, onde a atividade é incipiente”, observa Oliveira.
Os universitários destacaram pontos positivos, como o potencial que a fruticultura representa para o País na geração de divisas e como importante fonte de renda para a agricultura familiar. Ferreira garante que o Brasil tem tudo para dominar o mercado mundial de sabores de frutas. “No mercado interno, a tendência é de aumento de consumo de sucos de frutas, haja vista que o consumo per capita ainda é muito baixo”, afirma, acrescentando que todas as empresas de processamento de frutas visitadas estavam ampliando o parque industrial, apostando no aumento das demandas interna e externa. “Para a exportação, há uma forte demanda por outros sabores de sucos brasileiros entre eles goiaba, manga, caju e acerola que poucos estrangeiros conhecem.”
“Embora seja inegável o progresso que há nos portos e aeroportos, falta muito para o setor tornar-se eficiente. A burocracia e a falta de infra-estrutura imperam na maioria dos portos”, enfatiza Ferreira. “Nos aeroportos também há problemas de logística, principalmente em relação à capacidade de receberem cargueiros. Soma-se a isso, a falta de investimentos em câmaras frias para frutas e de vôos freqüentes para Europa, Estados Unidos e Ásia”, completa Gomes. Ele observa que a exceção é o Aeroporto de Petrolina, planejado para a cadeia de fruticultura, com câmaras frias e vôo semanal para Europa com avião cargueiro. Graças aos investimentos em infra-estrutura, o volume embarcado de frutas saltou de 12 mil quilos, em 2004, para 706 mil quilos, em 2005. “De janeiro a setembro de 2006, os embarques para o Japão aumentaram 17 vezes comparado a todo ano de 2005”, ilustra Gomes.

 
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