Após alta do leite, agora é a carne que vai ficar mais cara

14/08/2007

Após alta do leite, agora é a carne que vai ficar mais cara

O preço da carne bovina deve operar em alta nos próximos meses, dando continuidade à tendência registrada no mercado nas últimas semanas. Em Salvador, a arroba (15 quilos) do boi évendidano atacado a R$ 56, contra R$ 51 apurados até meados de julho, informa o Sindicato das Indústrias de Carne da Bahia (Sincar). Na capital baiana, o preço da carne bovina é mais alto, por conta das despesas com transporte a partir das regiões produtoras. Já nas regiões de Jequié, Itapetinga e Barreiras, algumas das principais unidades produtoras, o valor da arroba bovina varia em torno de R$ 53.

O motivo do incremento dos preços é a expectativa dos produtores em relação à entressafra, que compreende os próximos três meses. No período, o frio e a seca reduzem a qualidade da pastagem, o que influencia diretamente a alimentação dos animais e, conseqüentemente, o preço da carne. De acordo com a Superintendência Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), órgão vinculado à Secretaria de Planejamento do Estado (Seplan), o consumidor sente a tendência de alta nos preços da carne desde maip. No período, o alimento contribuiu com 0,01 ponto na composição do Iíndice de Preços ao Consumido (IPC/SEI), o que contrariou a queda nos preços no mês anterior, quando a carne bovina teve participação negativa de 0,09 ponto na composição do índice de abril.

A contribuição de 0,01 ponto voltou a se repetir no mês passado, o que gerou um peso "considerável",no resultado do IPC, de 0,21 % apurado na capital baiana em julho, conforme explica Luiz Mário Vieira, coordenador de acompanhamento conjuntural da SEI. Ele avalia que os preços da carne bovina deverão seguir em tendência de alta, pelo menos nos próximos dois meses. "Até que cheguemos a um preço de equilíbrio para o consumidor. Depois deste ponto, os preços tendem a cair suavemente", avalia Vieira.

Ele ainda observa que o leite de vaca chegou seu preço de equilíbrio e deve recuar nos próximos meses, após a alta de 19% em julho. Já em relação à carne bovina, a perspectiva não é tão otimista. Não há estimativas de aumento nos preços do alimento ao consumidor nas próximas semanas, mas eles virão. O Sincar já trabalha,com a arroba do boi vendida em 5alvador a R$ 60, até o início de outubro, algo em torno de 6% a mais, na comparação com os preços fornecidos ao atacado atualmente.

Na avaliação da economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Ana Georgina Dias, ainda pesam no avanço dos preços da carne as exportações do alimento, qlle avançam, mesmo com a apreciação cambial (valorização do real frente ao dólar). Segundo ela, os produtores preferem vender para o exterior, o que impulsiona os preços da carne bovina no mercado dOIi1éstico. A percepção é amparada em números.

De acordo com a Associa Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o País portou 1,363 milhão de tonelada de carne bovina no primeiro mestre do ano, o que significa avanço de 26,96% ante ornes período de 2006. O mercado b, no é afetado pela situação, pó deficitário na relação entre a  produção e o consumo de carne bovina na, o que força a importação a partir de outros Estados.

De acordo com a Secretaria Agricultura da Bahia (Seagri), o tratado consome cerca 2,13 milhões de bois anuais (ou 512 mil toneladas), para uma produção de milhões de bovinos ao ano. O I significa que a capacidade dos frigoríficos da Bahia respondem apenas 76% do consumo. '

A projeção da Seagri é que ,a produção baiana de carne bovina cresça 3% este ano, ante 2006, a tendência da alta é registrada desde 2003. Atualmente. existe um déficit de 24% em relação ao consumo. A Bahia tem um rebanho de 11 milhões de cabeças e 20 frigoríficos.


LUIZ SOUZA