Produção de cacau recua 68%

15/08/2007
Produção de cacau recua 68%
 
Comissão de Agricultura do Senado realiza audiência sobre o problema hoje
 

A região sul da Bahia, terra que um dia já foi cenário de extravagâncias dos ricos “coronéis”, hoje luta para tentar recuperar uma das suas atividades econômicas mais valiosas, a cacauicultura. Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), João Martins Júnior, no ano passado, a produção de cacau da região teve uma queda de 68% comparada com a safra de 1990. “Há 17 anos produzimos 354 mil toneladas, em 2006 geramos apenas 115 mil toneladas”, afirma.

Martins garante que esse declínio na produção de cacau deve-se à falta de incentivo por parte do governo federal. Para ele, atitudes como recalcular a dívida dos cacauicultores, que atualmente gira em torno de R$700 milhões; liberar garantias para novos empréstimos, visando investimentos nas lavouras; estabelecer novos prazos de carências e juros para pagamento da dívida, e investir em pesquisas são algumas medidas que ajudariam a sanar a crise da cacauicultura no estado.

Visando definir soluções para a crise do setor, a Comissão de Agricultura do Senado convocou uma audiência pública, que acontece hoje no Senado Federal, em Brasília. Além do presidente da Faeb, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, e o presidente da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Gustavo Moura, também foram convidados para participar do encontro. “Queremos ouvir quais as medidas concretas que eles têm para a nossa cacauicultura”, diz Martins.

Para ele, a queda constante da produção vem gerando uma série de problemas, não só para os produtores, mas também para toda a região, que em 2006 movimentou uma receita bruta de US$215 milhões. “Infelizmente, a nossa expectativa para este ano é algo em torno de 95 mil toneladas a 105 mil toneladas apenas”, declara Martins, complementando que se uma das propostas do governo não for alongar o débito dos produtores, tornando ele compatível com a realidade, nada vai adiantar, pois eles continuarão sem adquirir novos créditos para investir na lavoura.

GRACIELA ALVAREZ