Óleo de fritura pode ser reciclado
O óleo de origem vegetal usado em frituras pode ser reutilizado na fabricação de produtos como sabão e cosméticos e também como óleo combustível (biodiesel). Ao ser destinado à reciclagem, o óleo de cozinha deixa de ser lançado na rede de esgotamento sanitário, o que evita que depois seja lançado nos rios ou no mar.
Em Salvador, a coleta desse resíduo tem sido feita pela pequena empresa do engenheiro químico Luciano Hocevar. Em uma picape, ele e seus doi~ funcionários percorrem os vários pontos da cidade onde ficam os seus mais de 200 fornecedores. Em um mês, a RenoveReciclagem de Óleos Vegetais recolhe 15 toneladas de óleo. Para Luciano, a quantidade recolhida é ainda muito pequena em relação ao potencial da cidade. Ele destaca que, no Sul do País, esta atividade já está bem mais intensa. "Em São Paulo, só uma empresa coleta 300 toneladas", disse.
A coleta é feita preferencialmente em estabelecimentos que operam com alimentação, como é o caso do bufê infantil Festeleco, que ontem passava pama Renove cerca de 30 litros do óleo usado para fritar salgadinhos servidos nas festas. Enquanto preparava a casa para a próxima festinha, Priscila Chaves Nascimento, uma das proprietárias, contou que há dois anos colabora com a empresa de Luciano. Elanão cobra pelo óleo usado e se diz satisfeita pelo .fato de colaborar para não sujar o meio ambiente. "É um alívio ter a coleta na porta e saber que evitamos a poluição", disse ela.
Empolgada, ela pretende inserir os empregados na iniciativa, chamando-os a participar trazendo o óleo usado de suas casas. Luciano Hocevar observa que a coleta pode ser feita também em condomínios se a quantidade armazenada for acima de 20 litros.
No meio ambiente, o óleo forma uma película sobre a água dos rios ou do-mar que evita a entrada da luz do sol e conseqüentemente da troca gasosa; na terra, o óleo impermeabiliza o solo e impede a infiltração de água, como explica Luciano Hocevar.
A possibilidade de ajudar o meio ambiente também motiva o funcionário da Renove Josemar Oliveira Santos, 29 anos. "Eu via em casa os problemas queo óleo causava", disse ele. Ele conta que o trabalho nem sempre é fácil, pois muita gente os vê como lixeiros. "A consciência ainda é rudimentar", disse.
Quem também está empolgado com a iniciativa é o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, Seção Bahia (Abrasel-BA), Luiz Henrique do Amaral. Segundo ele, mais de 30 associados da entidade estão envolvidos na iniciativa. "Desta forma, o processo torna-se auto-sustentável e garantimos a sua continuidade e expansão", afirma o presidente.
EMBASA - O superintendente de Meio Ambiente e Projetos da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), Júlio Mota, conta que o óleo de cozinha lançado na rede de esgotamento sanitário causa muitos danos à tubulação. "A gordura é mais leve e não se misturacom a água, e isso faz com que vá se acumulando nos canos, podendo até travar as bombas das estações elevatórias", infôrmou. O óleo entra na rede quando as residências não têm caixas de gordura, ou quando estas ficam cheias e não têm limpeza regularmente.
MAIZA DE ANDRADE