Benin busca ampliar comércio com a Bahia

16/08/2007
Benin busca ampliar comércio com a Bahia
 

Apesar das estreitas relações culturais entre a Bahia e o Benin, o comércio bilateral é insignificante, baseado apenas na exportação de fios de máquina por uma empresa metalúrgica do estado. Este ano, a HSJ, empresa sediada em Mata de São João, vendeu US$323 mil em fios de máquina, retomando uma parceria comercial que ficou suspensa no ano passado (em 2005, os embarques de fios não chegaram a US$800 mil). O país africano, de onde saíram as maiores levas de escravos para o Brasil, embarcou para o mercado brasileiro apenas algodão debulhado, no total de US$21,8 milhões.

Esse quadro pode ser alterado e um passo importante nesse sentido será dado amanhã, quando estará em Salvador o presidente do Benin, Boni Yayi, que, entre outros encontros agendados, se reunirá com representantes do governo estadual, da prefeitura municipal e empresários, às 16h, na sede da Federação das Indústrias (Fieb).

A vinda ao Brasil, acompanhado de empresários africanos, tem como foco o setor de biocombustível, prioritário nas relações diplomáticas entre os dois países. Mas, na Bahia, aproveitando os fortes laços culturais já existentes, os empresários se encontrarão para analisar outros negócios possíveis. Entre eles, segundo o gerente de informação do Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), Arthur Souza Cruz, estão os setores de alimentos (frango, soja e alimentos preparados), produtos metalúrgicos, papel e plástico, em que o estado tem grande potencial de exportação. O incremento das exportações de fio máquina também é possível, uma vez que é o segundo produto da pauta de exportações brasileiras para o Benin, perdendo apenas para o açúcar.

Arthur Cruz não vê muitas possibilidades da Bahia importar do Benin, uma vez que o estado produz e exporta algodão, cujo cultivo é responsável por 40% do PIB e aproximadamente 80% das exportações do país africano. Para a gerente do Centro Internacional de Negócios da Fieb, Daniela Cunha, as possibilidades de negócios são concretas entre a Bahia e o Benin, incluindo os segmentos do agronegócio e da construção civil, já que o pequeno país, que tem sete milhões de habitantes, está atravessando um processo de desenvolvimento, com economia em expansão.

MÔNICA BICHARA