Manejo de pastagem evita degradação
Medidas simples e baratas melhoram as condições do solo e garantem alimento de boa qualidade aos animais
Evitar a degradação de pastagens é sinal de lucro para o pecuarista. Além de custar pouco, reflete diretamente no desempenho dos animais, seja em rebanhos de corte ou de leite. ''O maior problema hoje da pecuária é a degradação de pastagens e, diante disso, é muito mais fácil, prático e barato evitar o problema do que recuperar ou renovar a área degradada'', afirma o pesquisador Armindo Kichel, da Embrapa Gado de Corte.
De acordo com o pesquisador, atualmente, 80% dos pastos cultivados no País estão com algum nível de degradação e 60% estão totalmente degradados. A degradação, normalmente, é provocada por manejo inadequado da planta, superlotação de animais na área, falta de manutenção e reposição de nutrientes no solo. Em estágios mais avançados, a área torna-se improdutiva, com plantas invasoras, pragas, doenças e erosão.
SEMENTES
Kichel explica que com técnicas simples é possível ter uma pastagem produtiva e de boa qualidade para os animais. ''Preparar bem o solo, escolher a semente certa, plantar na época apropriada e ajustar a lotação de animais na pastagem são medidas simples que evitam uma série de problemas'', observa. ''A dica é buscar orientação técnica qualificada e planejar a formação da pastagem como se costuma fazer com um plantio de soja, por exemplo.''
Segundo Kichel, a pastagem é uma cultura e, portanto, deve ser tratada como tal. ''O manejo deve ser tão cuidadoso quanto o dispensado a uma lavoura de soja ou de milho.''
Segundo o pesquisador, o primeiro passo é escolher a forrageira adequada, em função do clima, do solo e do nível tecnológico disponível. ''Não há a melhor ou a pior espécie forrageira. Para cada caso haverá uma forrageira imbatível, desde que bem adaptada às condições locais'', fala Kichel.
Ele destaca, ainda, a importância de adquirir sementes de boa qualidade, alto nível de pureza e ótima germinação. ''Muitos pecuaristas compram sementes por quilo e não observam a pureza. A conseqüência é o uso de sementes impuras, contendo até 60% de palha e terra.''Isso significa que em um quilo de sementes, o produtor leva 600 gramas de terra (torrões), palha e invasoras e apenas 400 gramas de sementes. ''Somado a isso, existe o risco dessas sementes conterem plantas invasoras, pragas e outras doenças, que podem ser transportadas para a propriedade'', explica.
PROFISSIONALISMO
O pesquisador conta que o principal erro do produtor é tratar a pastagem de maneira amadora. ''Em geral, o pecuarista coloca menos sementes na área e não faz o plantio correto. Há quem simplesmente jogue a semente por cima do solo. Isso impede a boa formação da pastagem, provoca danos no solo e interfere na alimentação dos animais.''
Uma pastagem bem formada, por manter a área bem coberta e protegida, retém umidade no solo, evita perdas de nutrientes e melhora a adubação. ''Além das vantagens diretas para os animais.''
De acordo com Kichel, hoje, o principal motivo da baixa eficiência produtiva dos animais é a falta de forragem. ''No Cerrado, de maio a outubro, 90% do rebanho passam fome ou tem algum tipo de restrição alimentar'', comenta, lembrando que também é fundamental descartar animais improdutivos do rebanho.
Segundo cálculos do pesquisador, a média brasileira de produção de carne varia de 40 a 45 quilos por animal/ano. Com a adoção de um manejo adequado de pastagem é possível dobrar essa produtividade, chegando a 90 quilos de carne por animal/ano. ''O maior segredo para atingir esse índice é fornecer forragem ao rebanho todos os dias do ano.'' Para isso, recomenda planejar a alimentação dos animais, adotando um manejo estratégico.
''Pode-se conservar a forragem e fazer estoques para os períodos de seca, há a opção de utilizar resíduos da agroindústria, que são baratos, práticos e podem ser altamente nutritivos. Existem várias alternativas disponíveis para o pecuarista garantir forragem o ano inteiro para os animais'', sugere Kichel. ''Investir em uma boa formação de pastagem é a lição de casa que todo o pecuarista precisa fazer, é a base da produção pecuária'', recomenda o pesquisador da Embrapa.
FERNANDA YONEYA