Embrapa faz pesquisas no Rio de Janeiro

20/08/2007

Embrapa faz pesquisas no Rio de Janeiro

A Embrapa Agrobiologia, em parceria com institutos de pesquisa, trabalhou para resgatar a importância da araruta para a cultura brasileira. Hoje já existem cinco variedades diferentes no banco de germoplasma do seu centro de pesquisa, em Seropédica (RJ). Segundo a pesquisadora Maria Cristina Prata Neves, que atua na área de manejo orgânico, a unidade desenvolve um trabalho de resgate do plantio.

Ele diz que a atividade foi iniciada pelo pesquisador Dejair Lopes de Almeida, já aposentado, que levou as primeiras mudas para a Fazendinha Agroecológica, da Embrapa, também no Rio de Janeiro, onde desde então está sendo cultivada organicamente.

Na década de 1990, apoiadas por um programa da Embrapa, com o objetivo de restaurar práticas agrícolas e a cultura tradicional, mulheres idosas da aldeia Pataxó de Coroa Vermelha, no sul da Bahia, iniciaram plantio da araruta, que já não existia mais naquela região.

Começou então um trabalho de resgate desta planta e, em 1999, a Embrapa Agrobiologia forneceu mudas para reintrodução da planta nas aldeias pataxós.

A pesquisadora da Embrapa explica que o trabalho hoje consiste em manter o germoplasma, ou seja, um banco de material propagativo, ainda muito pequeno para atender a produtores interessados e, ao mesmo tempo, também não deixar desaparecer a cultura. A estatal pode fornecer uma quantidade muito limitada de rizomas.

Índios fizeram plantios no interior das florestas brasileiras

Considerada alimento de fácil digestão, a fécula da araruta é usada no preparo de mingaus, bolos e biscoitos, sendo indicada para idosos, crianças pequenas e pessoas com debilidade física ou doentes em recuperação. Também se pode produzir papel com a araruta.

Os índios chegaram cultivar a araruta dentro das florestas para manter as reservas de alimentos, e a utilizavam também para fazer farinha e beijus. É uma planta originária das regiões tropicais da América do Sul, a qual, infelizmente, está em extinção. Algumas tribos usavam o sumo da araruta contra picada de insetos e o polvilho contra problemas intestinais.

A indústria de massas brasileira ainda não utiliza a araruta no fabrico de produtos para os celíacos – pessoas com restrições alimentares ao glúten, que não existe na fécula da araruta –, e a preocupação maior tem sido a de informar na embalagem a presença da substância, obedecendo a lei em vigor desde 1992.

Para iniciar o plantio da araruta são necessários os rizomas, que são estruturas subterrâneas – tipo um caule. Dele saem as folhas da araruta. É como plantar batata, batata doce, cana e mandioca.

“Usa-se uma parte da planta adulta. Por isso a dificuldade hoje de iniciar um plantio. Não dá para ir às lojas de produtos agropecuários e comprar um pacote de sementes. Não há sementes”, orienta Maria Cristina Prata, da Embrapa.

Os tratos culturais são parecidos com os da batata doce “Recomendamos adubação verde com leguminosas antes do plantio”, orienta a pesquisadora. Para a obtenção da fécula, as raízes devem ser lavadas, raspadas, lavadas novamente, moídas e separadas do bagaço. Depois, o processo continua com a secagem até o produto final, a fécula, que é um pó branco.

EXTRAIR A FÉCULA – Efetuar criterioso descascamento para eliminar óleos essenciais da película que envolve os rizomas, desintegrar, lavar a massa ralada com água, coar em peneira, decantar, escoar o excesso de água, secar e triturar.

São duas as variedades nativas de maior importância encontradas no país: comum e creoula. A comum é a que produz fécula de melhor qualidade. Seus rizomas são claros, em forma de fuso, cobertos por escamas e atingem até 30 centímetros, dependendo da qualidade do solo, embora o tamanho normal varie de 10 a 25 centímetros.

A oferta reduzida da fécula da araruta sempre provocou tentativas de falsificação com amido de arroz, trigo, fécula de batata ou mandioca. No entanto, é fácil detectar a fraude. A fécula da araruta pura misturada com água quente proporciona uma pasta transparente. Caso seja falsificada, a pasta fica gosmenta.

O rendimento da araruta oscila entre 6 e 12 toneladas de rizomas por hectare e cada 100 quilos de rizomas resultam em 15 a 18 quilos de fécula. Após a colheita, os rizomas destinados ao novo plantio devem ser armazenados em ambiente seco e bem protegido. Os destinados à produção da fécula precisam ser descascados com cuidado.

Depois de descascados, são ralados para obter massa, que é, então, lavada com água sobre um pedaço de tecido de algodão ou peneira. A fécula atravessa o tecido e os resíduos ficam retidos. O resultado é um pó fino, branco-acinzentado e sem cheiro. A fécula da araruta pode ser utilizada no preparo de mingaus, bolos, cremes e biscoitos. De fácil digestão e tida como restauradora de forças, é indicada para crianças e idosos e pessoas em convalescença ou com debilidade orgânica.