Salvador ganha centro de fertilização

31/07/2003

Salvador ganha centro de fertilização

Laborátorio aberto hoje será o quarto do Brasil e o primeiro do nordeste a utilizar a técnica in vitro: 300 embriões ao mês

 

O Estado da Bahia terá o quarto laboratório de fertilização in vitro (FIV) do País e o primeiro do Norte e Nordeste, resultado de convênio entre o governo estadual e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a partir de investimentos de R$ 500 mil em equipamentos e tecnologia. Com capacidade instalada para produzir 300 embriões por mês, o Centro de Reprodução Animal vai facilitar o acesso do produtor baiano às técnicas de reprodução seletiva e fornecerá material genético de alta qualidade. Localizado na Central de Laboratórios da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), em Salvador, planeja produzir mil embriões neste primeiro ano de implantação e o dobro no próximo.

Vanguarda da seleção genética

"O novo centro representa um salto para a pecuária seletiva do estado e coloca a Bahia na vanguarda da seleção genética", diz o secretário de Agricultura (Seagri), Pedro Barbosa. "É um importante instrumento para garantir rapidez na multiplicação do material genético de qualidade." Ele lembra que o estado tem um dos maiores rebanhos seletivos do País e um plantel de 9,5 milhões e cabeças. "O volume dos negócios que estão sendo realizados na Exporural 2003, em torno de R$ 20 milhões, e os 18 leilões que serão realizados até domingo na feira, são uma mostra do potencial da pecuária baiana", avalia.

O diretor de Pecuária da Seagri, Luiz Rebouças, explica que a Embrapa continuará prestando assessoria técnica ao projeto e vai acompanhar sua execução. A Associação Baiana dos Expositores (Abexpo), criada há três anos por produtores que já operam com a seleção genética, vai gerir o laboratório, que estará em funcionamento a partir do início de agosto. A inauguração será feita hoje pelo governador Paulo Souto e pelo secretário da Agricultura e a produção começa imediatamente.

Padrão zootécnico

A fertilização in vitro é utilizada para produção em escala de embriões com padrão zootécnico elevado, a partir da seleção de características desejáveis, como maciez da carne, resistência, ou precocidade, e ganho de peso. Entre as vantagens que apresenta está o prolongamento da vida produtiva das fêmeas. Utilizada internacionalmente em larga escala, cresce sua aprovação entre produtores dos grandes plantéis do estado, a maioria criadores de nelore. "O potencial é promissor também para a raça tabapuã, e inicialmente a EBDA fará a fertilização de exemplares de guzerá, de seu plantel", explica do diretor de pecuária da empresa ligada à Seagri, Francisco Benjamim. O processo de fertilização utiliza material genético coletado de animais que incluem desde bezerras pré-púberes, vacas em início de gestação, animais com problemas de fertilidade e até mesmo exemplares senis.

O diretor da Abexpo, Ronaldo Oliveira Bittencourt, informa que a comercialização de FIV por meio dos leilões tem movimentado quantias consideráveis. "O preço médio alcançado pelos embriões nos leilões é de R$ 20 mil, mas a depender do produto, ele pode chegar até R$ 200 mil", afirma.

O produtor interessado em adquirir embriões fertilizados in vitro ou utilizar qualquer um dos serviços, como coleta, fecundação e maturação, ou implantação dos embriões, deve procurar a Abexpo, onde será cadastrado para receber a visita dos técnicos da entidade. A associação está fazendo a avaliação de custos para definição dos preços, mas o diretor adianta que o custo dos produtos será menor do que os que são encontrados hoje no mercado brasileiro. "O criador não precisará viajar para outros estados e o risco de perda do material por atraso na entrega ou problemas no translado é menor", diz Benjamin.

Procedimentos técnicos

A fertilização é feita a partir de procedimentos técnicos que incluem a aspiração de material genético no ovário da fêmea e posterior manipulação dos gametas (células sexuais) fora do organismo materno. O sêmen utilizado na FIV provém de touros selecionados e passa por uma preparação antes de ser colocado junto com o material extraído das fêmeas (ovócitos). Depois dessa etapa, a fecundação propriamente dita, os embriões são transferidos para o cultivo, onde permanecem em maturação por sete dias, até atingirem o estágio de transferência para úteros de diversas vacas receptoras que levarão a gestação a termo. "Todo o processo dura em média duas semanas", afirma Benjamin.

(Gazeta do Brasil12)(Alvaro Figueiredo)

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