Bahia inicia combate à praga da ferrugem asiática

28/08/2003

Bahia inicia combate à praga da ferrugem asiática

Doença afeta 60% da soja do País. Na lavoura baiana a infestação é de 40% e gera um prejuízo de R$ 300 milhões.

 

Com uma produção consolidada de 1,6 milhão de toneladas de soja, a Bahia amarga prejuízos em torno de R$ 300 milhões, com a praga agrícola da ferrugem asiática, que espalhou-se por todo o País e contamina 60% da lavoura de soja nacional. A maior dificuldade em impor barreiras sanitárias eficientes é a forma de disseminação, que se dá pela transmissão eólica dos esporos. "A dispersão é intercontinental, pois quando o fungo inicia a esporulação, os ventos se encarregam do transporte, facilitando o contágio", explica o engenheiro agrônomo Cássio Peixoto, da Secretaria de Agricultura (Seagri) que orienta produtores no controle da infestação.

O secretário de agricultura, Pedro Barbosa, representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (Ebda) e Associação dos Agricultores Irrigantes do Oeste da Bahia (Aiba) reuniram-se esta semana na sede da Seagri para definir ações de monitoramento e combate à ferrugem asiática. "Precisamos estabelecer uma estratégia imediata, e também medidas de médio e longo prazo, uma vez que a soja é uma cultura em franca expansão. Este plano deve ser encampado pelos dos produtores, pois são os mais atingidos pelo problema", disse o secretário Barbosa, que promete intervir junto às entidades de crédito para garantir o apoio financeiro ao produtor. Cada um dos participantes apresentou sugestões para o plano de contingência, que prevê ações imediatas entrando em vigor já em setembro. Juntamente com os produtores, estas entidades correm contra o tempo, já que a ferrugem asiática, causada por fungo, dissemina-se rápida e virulentamente nas plantações.

Monitoramento

O primeiro foco da doença, que atinge as plantações de soja, foi identificado no estado há pouco mais de seis meses, e desde então acumula prejuízos que tendem a se ampliar, se não houver uma ação conjunta. Dados do Ministério da Agricultura dão conta de que a praga já comprometeu ou atingiu cerca de 60% das plantações de soja em todo o País.

O primeiro passo será o monitoramento cuidadoso de todas as áreas cultivadas, que ocupam no estado algo em torno de 850 mil hectares. "É um trabalho que precisa ser feito pelo produtor, com assessoria técnica das entidades e órgãos públicos", avalia o secretário. Detectada a infestação, o controle será iniciado imediatamente. Enquanto isso, a Ebda e Embrapa estudam formas de controle que reduzem aplicação de defensivos e permitam a redução de danos à lavoura que mais cresce no estado.

Praga agrícola provocada pelo fungo Phakopsora, a ferrugem asiática já se disseminou na lavoura e atacou 60% do cultivo da soja no Brasil, provocando redução de 112 mil toneladas na safra do ano passado. Os dados são da Embrapa, que junto com a Associação de Agricultores Irrigantes decidiu fazer mapeamento fitossanitário no oeste baiano, e constatou que a infestação já atinge 40% das plantações no estado.Recursos federais

Técnicos da Seagri acreditam, no entanto, que o índice deve se estabilizar, sem grandes avanços durante os próximos meses, por dois motivos. "O primeiro é o período de estiagem e o segundo é que os cultivos vêm reagindo bem ao uso de fungicidas á base de triazóis", explica o diretor da Agência de Defesa Agropecuária, Luciano Figueiredo, que integra comitiva técnica, com participação de especialistas do Ministério da Agricultura dos Estados Unidos, onde o problema também se alastrou.

Os recursos utilizados para conter a ferrugem asiática virão do governo do estado, que ainda não estimou cifras, e de projetos submetidos a fundos competitivos, com recursos federais. Os integrantes da cadeia produtiva concordam que é preciso um esforço conjunto, inclusive com investimento da iniciativa privada. Entre as principais ações do plano que devem ser tomadas imediatamente, estão a capacitação dos produtores e técnicos para a identificar a doença nas plantações e intensificar a assistência técnica na região. Também ficou definida a elaboração de campanhas educativas e de uma estratégia de comunicação para alertar os produtores através de rádio, jornais, revistas, panfletos e a criação de um sistema de alerta, e incentivo à rotação de cultura.

"Precisamos fortalecer as relações de parceria com a Ebda e a Adab para, em um primeiro momento, monitorar e controlar a doença e, em seguida, transferir essa tecnologia para os produtores", disse o chefe geral da Embrapa-Soja, Caio Vidor. Ele atenta para a necessidade do mapeamento de todas as doenças que atingem as plantações de soja no Oeste e não apenas da ferrugem asiática.

Ferrugem

A praga da ferrugem asiática chegou ao Brasil pela fronteira com o Paraguai e se espalhou rapidamente. Presente em todos os estados produtores de soja, registrou a primeira ocorrência oficial na Bahia em março deste ano, no município de São Desidério, região Oeste do estado. Outros municípios atingidos foram Riachão das Neves, Formosa do Rio Preto, Correntina, Baianópolis e Luís Eduardo Magalhães.

O fungo se reproduz com maior velocidade nas regiões com grandes índices pluviométricos. Durante a entressafra, o Phakopsora pachyrhizi sobrevive como hospedeiro em outras plantas, mas não é transmitido pela semente. Apresenta-se sob forma de manchas marrom avermelhadas nas folhas. Ao encontrar os primeiros indícios da infestação, o produtor deve iniciar imediatamente o combate. Técnicos da Embrapa, Ebda e Adab têm conseguido alguns resultados positivos no controle com o uso de fungicidas. Existe, no entanto, o risco de que o fungo venha a tornar-se resistente a estes defensivos, o que dificultaria ainda mais a sua erradicação.

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