Ex-ministro propõe a criação da Agência Nacional de Agroenergia
O Brasil precisa criar uma Agência Nacional de Agroenergia para estabelecer estratégias de mercado para o etanol, garantir estocagem e logística, e organizar a articulação entre governo e representantes do setor produtivo, se quiser transformar o produto numa commodity. Quem diz é o exministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que comandou a pasta no primeiro mandato do governo Lula. A proposta foi encaminhada por ele ao presidente da República, há cerca de quatro meses, segundo informou durante a palestra que abriu o painel "Etanol, commodity do futuro".
A questão central para o ex-ministro: sem definição, não há mercado, e sem mercado, não há preço. "O Brasil planta cana-de-açúcar na expectativa de um mercado que ainda não existe. Este ano a produção aumentou 7%, mas o preço caiu 35%. O resultado imediato dessa equação é dramático para o setor produtivo", alerta o ex-ministro.
Para que o etanol caia nas graças do mundo como um combustível viável, o Brasil precisa incentivar outros países a investir na sua produção e assim angariar a confiança do mercado internacional. "Ninguém trocará a dependência do petróleo da Arábia Saudita pela dependência do etanol do Brasil. Sozinhos, não vamos a lugar nenhum", prevê Rodrigues, que não teme a concorrência. "Nenhum outro país do mundo tem condições tão favoráveis. Quanto mais países produzirem o etanol, maior será o custo médio do produto e maior será o lucro do Brasil", prevê.
Coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ele aponta alguns mitos do passado como entraves ao desenvolvimento do mercado de etanol como a corrosão dos motores - além do falso dilema aventado por alguns países de que o cultivo da cana-de-açúcar comprometeria a produção mundial de alimentos. 'Isso é uma mentira', reage o ex-ministro, que credita este temor ao crescimento populacional estimado para a Ásia e África, cuja demanda por comida aumentará muito nos próximos 30 anos.
Ásia e América Latina na mira cio agr;bus;ness sucroalcooleiro
Com cerca de 80% da produção brasileira de etanol, a indústria sucroalcooleira de São Paulo quer incrementar as exportações do produto, hoje em torno de 4 bilhões de litros anuais. Na mesâíedonda "Etanol, commodity do futuro", o assessor da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) Alfred Szwarc chamou a atenção do governo para mercados alternativos ao dos Estados Unidos, onde medidas protecionistas favorecem o etanol de milho "made in USA'. "O Brasil deve apostar na China, fndia, Tailândia, Colômbia, Peru e Jamaica. O mercado internacional está em formação e é nossa tarefa ajudar nesse processo", afirmou.
Além de parceira do. governo brasileiro nessa missão, a Unica mantém o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que estuda e desenvolve novas variedades de cana-deaçúcar, visando ao incremento da produtiv~ dade dos canaviais. O CTC é uma das instituições do ramo que a Ministra Dilma Rousseff vê como participante fundamental da rede de pesquisa e desenvoMmento para manter o Brasil como favorito na corrida tecnológica dos biocombustíveis.
O entusiasmo dos canavieiros é sustentado por análises de especialistas como Armando Guedes, presidente do Comitê de Energia da Firjan, para quem o mercado mundial do álcool é infinito. "Não há nenhuma razão para que a tecnologia dos veículos flex tuel não se dis. se mine pelo mundo inteiro", avaliou Guedes, ao participar da mesa-redonda sobre a transformação do álcool combustível em commodity.