Confinamento europeu não é páreo para pastagens brasileiras
As exportações de carne bovina brasileira para a Comunidade Econômica Européia (CEE) estão sob nova fase de contestação, gerada por supostos problemas no sistema de rastreabilidade brasileiro. Tal impasse, contudo, parece mesmo ter a finalidade de restringir as exportações de carne brasileira. Com base em pesquisas de campo, o Cepea e a CNA oferecem subsídios importantes para o entendimento técnico dessa questão.
A alimentação dos animais representa um dos maiores itens de custo e também é um dos determinantes da qualidade da carne. Os rebanhos dos países do Hemisfério Sul usam em sua maioria as pastagens como base da alimentação, ao contrário dos países do Norte, que baseiam a dieta dos animais em silagem, farelo de soja e outras opções disponíveis.
A utilização de pastagens e o aumento da produtividade com essa base de alimentação são fundamentais para explicar o ganho de competitividade da carne brasileira. Os concorrentes do Brasil, contudo, não possuem meios para superar essa vantagem legítima e daí vêm as tentativas de restringir o comércio.
Nas discussões européias, entretanto, as características positivas do sistema de produção a pasto são relegadas a segundo plano ou mesmo esquecidas. Entre essas vantagens deixadas de lado, está o bem-estar do animal, sempre tão cobrado pelos europeus nas criações de aves e suínos, mas esquecido para a pecuária bovina. O motivo é simples. No sistema de confinamento europeu, os animais passam toda a vida sem ter acesso ao ambiente de liberdade, que está presente nas condições originais de vida dos bovinos e é respeitado na criação a pasto.
A combinação da pecuária de corte com outras atividades em uma mesma empresa agrícola tende a gerar ganhos de produtividade da pecuária. No Brasil, a combinação de atividades é muito diferente das encontradas nos países do Norte. No Centro-Oeste, por exemplo, a integração pecuária-agricultura é representada pela produção de grãos que, coincidentemente, vai gerar farelo de soja que alimentará rebanhos europeus. Enfim, o Brasil é responsável pela produção de carne a pasto dentro de suas fronteiras e ainda auxilia a produção de carne em muitos países, ofertando matéria-prima.