Bahia posiciona Maracás para competir com Holambra
Mercado de flores em vaso é tomado pelos produtores do município paulista, colonizado por imigrantes holandeses.
O município de Maracás, um dos mais expressivos produtores da floricultura da Bahia e conhecido como Cidade das Flores, é a base de iniciativa pioneira para comercialização de flores decorativas em vasos, nicho de mercado local ainda inexplorado. A primeira partida com cerca de 100 vasilhames de plantas ornamentais já chegou a Salvador e Jequié, transportada em caminhão-baú refrigerado da prefeitura. Entre as espécies cultivadas, destacam–se a gipsophila, amarylis, mini-rosas e outras, que serão escoados para as floriculturas. A venda é feita através da distribuidora Agripalm.
Até 40 dias atrás, apenas flores de corte, produzidas no município, chegavam às floriculturas de Salvador e pontos de venda em Jequié, Santo Antonio de Jesus e Feira de Santana, no interior. Mais procuradas em forma de buquê ou em quantidade, as flores de corte são preferidas para ornamentar festas e casamentos e a participação do segmento no mercado está em torno de 5%. A totalidade das flores em vasos, até agora, provinha de outros estados, principalmente do município de Holambra, no interior paulista, que detém a maior fatia do comércio no País.
O programa Flores da Bahia foi criado para incentivar a floricultura e reduzir a "importação", através de projetos comunitários de floricultura. A estimativa é que sete municípios produtores de flores subtropicais possam atingir a venda de 100 mil vasos por mês. "Ainda não será suficiente para enfrentar a concorrência, sobretudo de São Paulo, mas vai ajudar a diminuir a dependência", avalia o gerente executivo dos Projetos Comunitários Flores da Bahia, Paulo Tadeu Siqueira. "Compradas para presentes ou consumo próprio, por quem deseja decorar casa ou local de trabalho, vêm plantadas na terra, e têm durabilidade maior. E continuam vivas e bonitas até por meses", explica.
Vendas, elo fraco
Com a produção consolidada, governo e prefeituras partem para fortalecer a comercialização, hoje o elo mais fraco da cadeia produtiva. "Contamos com a sensibilidade do governo, que garantiu a criação de dois pontos de vendas de flores, através da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal)" afirma o prefeito do município, Fernando Carvalho. Um dos pontos está no Mercado do Ogunjá e outro em Narandiba, ambos em Salvador.
A coordenadora do Programa Flores da Bahia, Andréa Scherer, da secretaria de agricultura, informa que o ponto de venda do Mercado do Ogunjá está praticamente pronto. "Estamos aguardando que a Associação Baiana dos Produtores de Flores e Plantas Ornamentais (Asbaflor) assine o convênio para aquisição de uma câmara fria, equipamento indispensável ao acondicionamento das flores subtropicais de corte", esclarece. "O de Narandiba deve estar pronto até dezembro próximo", adianta.
Em Maracás, pode-se comprar direto na câmara fria da prefeitura, no Parque dos Eucaliptos, no mercado municipal, que no final de outubro iniciou a comercialização de vasos de flores locais, e também na única floricultura da cidade, a Mara Flores. A produtora e comerciante Maria Amália Rocha, pioneira com a prefeitura, encara o plantio como bom negócio. "O início foi difícil, mas começo a ver resultados. Nos melhores meses, maio e junho, chego a fazer R$ 700 reais", revela. Maria Amália cultiva dois hectares com o marido, e envia duas remessas de copos-de-leite, rosas, margaridas, branquinhas, papiros, entre outras, semanalmente a Salvador.
Flores tropicais
A 380 km de Salvador, no Sudoeste baiano, Maracás produz em estufa com área de 10 mil metros quadrados, onde 23 mil unidades esperam até atingir o tamanho ideal. Os preços variam de R$ 3 a R$ 5. O município deu partida à iniciativa que pretende impulsionar o cultivo e comercialização de flores tropicais e subtropicais, o que deve gerar 300 novos postos de trabalho, com renda que varia de R$ 260 a R$ 600 para os beneficiários. Os Projetos Comunitários, uma vertente do programa, são executados pelas secretarias da Agricultura (Seagri) e de Combate à Pobreza (Secomp).
"Cerca de 60 jovens da comunidade vão colher os primeiros resultados do trabalho. Eles terão uma formação aprimorada, que vai revelar o valor que possuem. São pessoas simples, que produzem com satisfação e dedicação, contribuindo para o próprio bem-estar", comenta o secretário de Combate à Pobreza, Clodoveo Piazza.
Com mais recursos circulando, o comércio da cidade também sai ganhando. Embora ainda não haja dados estatísticos, os funcionários da prefeitu€Dra acreditam que o fluxo turístico local aumentou. "Há três anos não se ganhava dinheiro com flores. Hoje 219 produtores tiram pelo menos um salário mínimo", lembra o prefeito Fernando Carvalho. De acordo com Cristiane Freitas, técnica agrícola da prefeitura, a expectativa é incrementar a produção para garantir 200 vasos por semana ao mercado baiano.
A chegada do Flores da Bahia trouxe nova função social para dezenas de mulheres da cidade. De donas-de-casa sem renda alguma, passaram a agricultoras, comerciantes e mesmo funcionárias do programa.