Consumo de açaí segue inalterado
A notícia de que o açaí vem servindo de veículo para a proliferação do mal de Chagas no Norte do País não tem afetado a procura pelo produto em Salvador, segundo comerciantes que trabalham com a venda do badalado e atrativo “açaí na tigela”. A polpa do fruto consumido na capital da Bahia, na maioria dos casos, é trazida do Pará, onde, desde o início do ano, uma pessoa morreu e outras 36 contraíram a doença de Chagas.
De acordo com quem trabalha com açaí, entretanto, não há razão para alarde, pois o produto consumido aqui, além de ter qualidade, passa por um processo de produção que afasta a possibilidade de contaminação pelo Tr ypanosoma cruzi, protozoário agente da temida enfermidade.
“Fomos os pioneiros na venda de açaí em Salvador e nos esforçamos para manter a qualidade”, afirma José Vitorino dos Santos Filho.
Ele e a esposa, Gabriela Santos Borges, são proprietários da Ácidos Naturais, há 15 anos no mercado e com três lojas na cidade, na Pituba, Imbuí e Itaigara.
Eles contam que os 2,5 mil quilos de polpa que consomem mensalmente na confecção do alimento são trazidos de Belém, no Pará, adquiridos em uma única indústria.
A escolha do fornecedor exclusivo, dizem, foi bastante criteriosa e resultado de uma estada de uma semana em Belém, onde visitaram a linha de produção e conferiram a higiene de diversas empresas, optando pela Frutali.
A proprietária da fábrica Frutali, no Pará, Denise Martins Acosta, que é agrônoma e especialista em segurança da indústria de alimentos, garante que não há qualquer risco de contaminação do seu produto.
O que tem acontecido é que o inseto transmissor do mal de Chagas está sendo triturado juntamente com o fruto durante a confecção da polpa. “Nosso fruto é higienizado, e o processo é mecanizado”, garante.
O açaí da Frutali é produzido em Ponta das Pedras, município da Ilha deMarajó, sendo colhido por apanhadores treinados e levado em caminhões fechados para Belém.
“Quando chega à fábrica, o açaí passa por diversas etapas de limpeza, com pré-lavagem com cloro, enxágüe e seleção, até cair na linha de produção, que é um processo totalmente industrializado”, explica Denise.
A gerente da lanchonete Pico do Açaí, na Pituba, Jeane Carla Barbosa dos Santos, também garante a qualidade da polpa que usa para fazer o propagandeado açaí na tigela. “Compro de duas fábricas de Belém, a Açaí do Francisco e a Amazon Dry. São produtos de qualidade, vêm embalados, com data de fabricação e carimbo do Ministério da Agricultura”, diz Santos.
Segundo ela, apenas dois consumidores questionaram sobre o problema que está ocorrendo no Pará. Mas, mesmo assim, não abriram mão de saborear uma generosa porção de açaí. Gabriela Borges, da Ácidos Naturais, também garante não ter registrado redução no consumo.
Consumidora contumaz do apetitoso fruto, a esteticista Rosilene Nascimento Pereira, 32 anos, diz que, ao menos uma vez na semana, substitui o almoço pelo nutritivo fruto. “Estou completamente preocupada. Vou pesquisar mais sobre o que está acontecendo”, disse ontem, enquanto saboreava uma farta tigela de açaí como café da manhã.
AMÉLIA VIEIRA