Petrobras faz parceria com, Camargo Corrêa em projeto de alcoolduto
Depois de informar sobre a parceria da japonesa Mitsui no projeto para a construção de alcooldutos ligando os estados do Centro-Oeste aos portos de São Sebastião (SP) e Paranaguá (PR) para escoar etanol, a Petrobras confirmou ontem a participação da construtora Camargo Corrêa na operação. Fontes da construtora confirmaram a infonnação.
A parceria prevê a construção do alcoolduto que ligaráGoiás (Senador Canhedo) a São Paulo, projeto que segundo o gerente de novos negócios de Abastecimento Corporativo da Petrobras, Gilberto Ribeiro de Carvalho, ainda está sendo elaborado. A expectativa é que esteja concluído em dois meses. Estima-se que apenas a companhia petrolífera investirá US$ 1,6 bilhão na construção de dois alcooldutos.
A Petrobras pretende ter participação minoritária no projeto, por isso, está em busco de novos parceiros. "AMitsui e a Camar~ go Corrêa são as sócias iniciaisn, disse Carvalho, durante o 6'~ Congresso Brasileiro de Agronegócio, em São Paulo. Na parcelia, a participação de cada empresa será proporcional (ao investimento realizado). Segundo ele, a Petrobras pretende fazer ainda contratos de longo prazo com a comercialização de capa cidade dos alcooldutos.
PRODUÇÃO EM 2015
A empresa deve produzir etanol feito a partir de celulose em larga escala entre 2015 e 2020. A primeira unidade industrial deve começar a funcionar entre 2011 e 2015. Carvalho informou que a Petrobras - que pretende se tomar líder no mercado mundial de biocombustíveis - está negociando cinco usinas para a produção de etanol: duas em Goiás e três em Mato Grosso do Sul. "A expectativa é liderar o mer cado de bicombustíveis promovendo o desenvolvimento do País". O gerente da Petrobras enfatiza que os biocombustíveis deverão desempenhar um papel importante no mercado mundial de combustíveis.
Para o presidente da JOB Economia, Júlio Malia Borges, existe espaço para a Petrobras se tornar o primeiro player mWldial no mercado de bicombustíveis. "Não existe em nenhum país do mundo potencial para a produção de etanol como há no Brasiln, enfatiza. Entretanto, di4 que o setor de etanol é modesto em relação ao petróleo. "Se a produção mundial de etanol dobrar até2012 representará apenas 2% do mercado de petróleo", calculou.
A Petrobras pretende licenciar no exterior a tecnologia lignocelulose que sendo desenvolvida para retirar etanol da palha da cana-de-açúcar e do bagaço, além de outras culturas. "Estamos começando a conversar sobre o licenciamento da tecnologia para empresas que atuam na área de refiho de petróleon, acrescentou Carvalho.
Hoje a empresa exporta 50 milhões de litros de etanol mensais, número que deve crescer para 250 mil nos próximos anos e atingir entre 3 e 4 bilhões anuais. A previsão é exportar 12 bilhões de litros a partir de 2020, sendo que 8 bilhões escoados pelo Porto de São Sebastião e 4 bilhões por Ilha D' Água (RJ).
O projeto de Leí, que está na Casa Civil para regulamentar a produção e a comercialização do álcool, foi tema de discussão no encontro. Considerado polêmico, o projeto arnda não chegou a um acordo entre o governo e o setor privado. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) disse que talvez o projeto tenha sido feito para a criação de um monopólio da Petrobras no setor. Fontes do governo retrucam e dizem que a Unica exagerou em sua crítica.
VIVIANE MONTEIRO