Plantio Direto melhora a produção no cerrado

03/09/2007

Plantio Direto melhora a produção no cerrado

 

O grande desafio dos agricultores é produzir com sustentabilidade para que a terra não se esgote e continue alcançando boa produtividade para as gerações futuras.
Uma das soluções encontradas foi o sistema do Plantio Direto na Palha, iniciado no Brasil na safra de 1972/1973, em 180 hectares no Estado do Paraná.
O Plantio Direto é um conjunto de técnicas que objetivam melhorar as condições ambientais do solo, da água e do clima. Para que seja implementado, devem-se respeitar três requisitos mínimos: não revolvimento do solo, rotação de culturas e uso de plantas para a formação da palhada (que vai ficar sobre a terra, protegendo-a e facilitando que a água da chuva penetre no solo).
Na Bahia, a região que se destaca atualmente na adoção do sistema é o cerrado, no oeste do Estado, mais precisamente os municípios de Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto, Barreiras, São Desidério, Correntina e Jaborandi.
Para divulgar o sistema, foi criado, em 2001, o Clube do Plantio Direto, com a participação de oito produtores.
Na última safra, o sistema já foi utilizado em 300 mil hectares, sendo que o clube conta com 85 associados.

DIAGNÓSTICO – De acordo com o engenheiro agrônomo, especialista em Plantio Direto, Ingbert Dövich, uma das primeiras ações do Clube do Plantio Direto, em parceria com a Associação do Plantio Direto do Cerrado (APDC, cujo site na internet é http:// www. apdc. org. br ) e a Embrapa Solos foi levantar um diagnóstico qualitativo para detectar o que estava atrapalhando a implantação do Plantio Direto na região.
Na oportunidade, foi constatada a dificuldade para a formação de palhada, e a solução sugerida, levando em conta as características regionais, foi a integração milho/ brachiária. O milheto e a dessecação das próprias plantas daninhas no pós-colheita é outra das opções encontradas.
"Os 300 mil hectares que temos de Plantio Direto na Palha são de alto nível", afirma o vice-presidente da Federação Brasileira do Plantio Direto na Palha, Renato Faedo, radicado em Luís Eduardo Magalhães.
Ele destaca que, na região, existem mais 400 mil hectares que estão em área de transição, adotando parcialmente o sistema.
Para ele, quando os produtores percebem os benefícios econômicos ao meio ambiente da tecnologia, adotam rapidamente o PD.
Faedo aponta a questão ambiental como o principal motivo para a mudança do sistema convencional para o conservacionista.
"Alguns produtores estavam sofrendo penalidades dos órgãos ambientais por conta do assoreamento de rios e poluição de nascentes.
No sistema de PD, encontraram a solução para não serem penalizados e ainda ter vantagens
econômicas", frisa.
Apesar de não crescer na mesma proporção das fronteiras agrícolas, na safra 2005/2006, o PD ocupou uma área de 25.501.656 hectares em todo o País, demonstrando que, mesmo não sendo unanimidade, existe uma preocupação crescente por parte dos produtores com a preservação do solo e dos recursos hídricos.