Produtores baianos captam novos mercados

04/09/2007

Produtores baianos captam novos mercados

 

Do semi-árido baiano direto para o mercado internacional. Este é o caminho que já vem tomando grande parte do sisal produzido na Bahia, estado que lidera o ranking com cerca de 90% da produção brasileira. Das 130 mil toneladas produzidas no ano passado, 110 mil foram exportadas, 70 mil delas já manufaturadas. Os números são animadores, mas o potencial do estado permite um incremento significativo da produção. Para viabilizar o desenvolvimento da cadeia produtiva do sisal, o governo estadual e os produtores estão investindo na captação de novos mercados, através da participação em eventos internacionais, sobretudo na Europa, como a Feira National Floor Show (Harrogate), que acontece de hoje até quinta-feira, na Inglaterra.


Novos eventos já estão na agenda dos produtores, como o Sommet Del´elevage, em outubro, na França, e o Agritechnica, em novembro, na Alemanha. “Precisamos compensar as dificuldades que estamos enfrentando hoje, com o câmbio abrindo novos mercados”, diz o presidente do Sindicato de Fibras Vegetais do Estado da Bahia (Sindifibras), Wilson Andrade. Ele frisou que o momento é propício para o setor em função do movimento internacional pela substituição de fibras de vidro e cimento amianto por fibras naturais, além dos usos tradicionais.


Apesar do câmbio em desvantagem, Andrade garante que está dando para manter o ritmo das exportações, até com um pequeno superávit em torno de 2%. “A cadeia do sisal tem uma importância social muito grande para o semi-árido, porque permite a produção o ano inteiro e pode ser consorciada com outras cadeias”, chama atenção o presidente do Sindifibras, estimando em 700 mil empregos gerados no estado pela atividade.
São 14 indústrias, seis exportadores de matéria-prima, cerca de cem batedeiras (primeiro beneficiamento), aproximadamente 3,5 mil unidades de desfibramento, cada um com uma média de 12 pessoas e 35 mil pequenos fazendeiros.


Para garantir a participação das fibras baianas nas feiras internacionais, o Sindifibra conta com o suporte técnico do Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), vinculado à Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração, e da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex), através do Projeto Sisal-Apex. Wilson Andrade conta que antes de cada evento é feito um mapeamento de 200 a 300 parceiros em cada país: “Mandamos material antes, convidamos alguns para visitarem nosso estande na feira e visitamos os que prometem mais”.


Segundo o superintendente do Promo, Ricardo Saback, de janeiro a julho de 2007 os produtores exportaram 56 mil toneladas de sisal, 10,5% a mais que no mesmo período do ano passado. “O crescimento poderia ter sido maior se não houvesse a valorização do real frente ao dólar, que vem impactando negativamente na quantidade exportada dos derivados de sisal”, observa. O esforço de divulgação do produto baiano no exterior, este ano, segundo Saback, terá como meta aumentar a percepção do consumidor em relação a adquirir produtos “ecologicamente corretos e naturais”.


Na feira da Inglaterra participarão produtos fabricados por quatro associações de pequenos produtores dos municípios de Valente, Conceição do Coité, Santa Luz e Campo Formoso, mais a empresa Renart, de Valente.