Floricultura investe em tecnologias para crescer

05/09/2007

Floricultura investe em tecnologias para crescer

Produtores usam novos processos para conquistar consumidores no mercado interno

 

O setor de floricultura cresce graças ao desenvolvimento e ao maior uso de novas tecnologias. O grande desafio do produtor é fazer com que as flores tenham maior durabilidade para conquistar o consumidor e aumentaras vendas.

 Os grandes pólos de produção, como a cidade de Holambra (a 140 km da capital paulista), estão implementando novas tecnologias e processos de produção. Os produtores estão adquirindo novos equipamentos, como estufas que conseguem controlar o clima gastando pouca energia.

Os avanços científicos e tecnológicos impulsionam o desenvolvimento da floricultura brasileira, favorecendo a competitividade, os ganhos em produtividade, a redução de custos e o alunento na qualidade dos produtos.

 Para isso, laboratórios desenvolvem soluções para dar suportetécnico-científi~o aos projetos brasileiros. Entre as inovações estão a biotecnologia e a engenharia genética. Dentro dainovação tecnológica, está a aceleração do processo de multiplicação de novas variedades.

 A empresa holandesa SBW desenvolveu no Brasil o sistema TIB (Imersão Temporária em Biorreatores, na sigla eluinglês). Esse sistema acelera o processo de multiplicação de novas variedades. Simplificando: o produtor escolhe a melhor unidade de uma variedade que ele quer plantar e o laboratório multiplica essa muda.

 Nos processos atuais, a cada quatro semanas uma plantinha se desenvolve em 2,5 plantas. "Com o novo sistema TIB, épossivel triplicar essa produção", segundo Conny Maria de Wit, diretora comercial para a América Latina daSBW.De acordo com Wit, "o objetivo dessa tecnologia é baratear o custo e acelerar o processo de micropropagação" .

 Âpesar de todos os Estados brasileiros estarem produzindo flores atualmente, Kees Schoenmaker, presidente do Ibraflor (Instituto Brasileiro de Floricultura), ainda destaca a cidade de Holambra (SP) como um dos principais pólos de produção, por estar adotando mais o uso de tecnologia.

 Entre os avanços, Schoenrnaker destaca o controle do clima dentro da estufa -tanto oaquecimento corno a refrigeração. "O alto índice de utilização de tecnologia favorece o aumento da produtividade por metro quadrado. E é isso o que ocorre em Holambra", diz o presidente do Ibratlor.

 O município de Holambra é responsável por cerca de 40% da produção de flores e plantas ornamentais do país e por 80% da exportação desses produtos.De acordo com Renato Opitz, presidente da Câmara Setorial Federal de Flores e Plantas Ornamentais, os produtores estão investindo cada vez mais em máquinas e equipamentos. Ele também destaca a diversíficão dos produtores, que investem em novas variedades de flores, com cores diferenciadas."Há uma tendência de crescimento no mercado. O consumidor está aceitando muito bem essas novas variedades", diz Benny van Rooijen, produtor de rosas e de boca-de-Ieão, de Holambra.


Mas há quem diga que esse é um mercado restrito, como Schoenrnaker. Para o presidente do Ibratlor, as novas variedades de rosas bicolores "agradam como novidade". "Mas elas mll1ca irão substituir as rosas vermelhas."


Muitos produtores de Holambra estão migrando para o sul de Minas Gerais, onde o clima, mais frio, é mats propício ao cultivo de rosas. E o caso de dois irmãos de Rooijen. Eles se mudaram para a serra da Mantiqueira para buscar maior qualidade das rosas. Resultado: já exportam para a Holanda. De acordo com Rooijen, na serra da Mantiqueira, com a nova genética, os produtores conseguem potencializar a qualidade das rosas.

Consumo

Para o presidente do Ibratlor, "o setor está bem, mas poderia estar melhor". De acordo com Schoenrnaker, a grande dificuldade do setor é aumentar o consumo dos brasileiros. Para ter uma idéia, ó consumo de flores e plantas oinarnentais no . Brasil é de US$ 7 por habitante por ano -na Europa, US$ 70.

Segundo o Ibratlor, o Estado de São Paulo é o principal produtor do país, com 70% do çultivo, o maior consumidor e também o maior exportador. A maior parte (71%) do cultivo é feita a céu aberto. As estufas re-presentam 26%.O Ibratlor estima que o crescimento do faturamento do setor seja de 12% neste ano -acima dos 10% do ano passado.

Exportação


Para Schoenrnaker, a situação das exportações de flores cortadas (corno rosas e gérberas) é muito difícil. "A maioria dos produtores que exportam está operando no vermelho,- por causa do dólar."
Opitz, da câmara setorial, prevê que as exportações, que vinham crescendo nos últimos anos, deverão permanecer estáveis neste ano. Em 2006, a receita com as exportações atingiram US$ 29 milhões. Cerca de 70% desse valor é da venda de bulbos e mudas.

 Além do câmbio, Opitz déstaca como entrave às vendas os problemas logísticos, como os atrasos dos vôos, já que a flor é um produto perecível.