Mel ganha exterior com certificação
Alvaro Figueiredo
Com uma produção anual em torno de 4 mil toneladas de mel, a Bahia iniciou, em 2003, negócios voltados para a exportação, totalizando vendas em torno de 400 toneladas. A exportação foi realizada por via indireta, com a produção repassada para empresas de outros estados, entre os quais São Paulo, Santa Catarina, Piauí e Ceará, tradicionais exportadores para os mercados internacionais da Europa, EUA e Canadá.
Um dos principais impedimentos era o fato de, até o final de janeiro, a Bahia ainda não possuir o selo de qualificação do produto, exigido para os padrões do mercado internacional, mesmo contando com cerca de cem unidades de beneficiamento do mel, dentre as quais 29 já detentoras de selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF nacional) e 12, o Serviço de Inspeção Estadual (SIE).
Com a conquista do primeiro SIF internacional, o foco agora é o mercado externo, no qual o produto chega a US$ 2,2 mil a tonelada. Cerca de 60 produtores e empresários da apicultura baiana participaram de treinamento em fevereiro, promovida por parceria entre o Serviço de Apoio à Pequena e Micro Empresa (Sebrae-BA), Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo) e Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri). "O objetivo foi qualificar o produtor para enfrentar com segurança o mercado externo", comenta o superintendente de Agropecuária da Seagri, Edilson Bartolomeu.
A despeito da pequena produção, o estado demonstra vocação para a apicultura, especialmente na região do semi-árido, devido a variações de microclima e flores que se prestam ao cultivo.
Ainda assim, exporta menos que outros estados de produção é menor. Uma das metas da parceria entre o Sebrae-BA, Promo e Seagri é ajudar a cadeia produtiva a resolver o entrave na comercialização do produto, sem atravessadores.
"A viabilidade econômica faz da apicultura hoje uma grande opção de desenvolvimento da região, fato que pode ser percebido pelo número de projetos apícolas aprovados e financiados nos últimos anos, favorecendo associações e cooperativas", comenta João Alfredo Figueiredo, superintendente do Promo.
Ele destaca o fato de que a atividade é responsável no estado por negócios em torno de R$ 34 milhões por ano, gerando 15 mil postos de trabalho "Isso dá idéia da importância social". Para Figueiredo, estes são os primeiros passos para tornar o estado um grande exportador de mel.