Importadores exigem certificação
A Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), vinculada à Secretaria da Agricultura, vai realizar, juntamente com o Ministério da Agricultura, um levantamento fitossanitário em todas as áreas produtoras de banana na Bahia, a fim de certificar o Estado como zona livre da praga moko da bananeira (ou murcha bacteriana).
Atualmente, a cultura da banana na Bahia ocupa uma área de cerca de 80 mil hectares. A produtividade média aproximada é de 14 mil toneladas por hectare, para uma produção de um milhão de toneladas. A Bahia é o maior produtor nacional da fruta.
A iniciativa visa atender à nova exigência feita pela Argentina para continuar importando banana produzida no Brasil. Além disso, de acordo com deliberações do Comitê de Sanidade Vegetal do Cone Sul, os Estados exportadores deverão estar certificados pelo Ministério da Agricultura como zona livre da praga para continuar a exportar para o país vizinho.
ATAQUE – Segundo o diretor de Defesa Sanitária Vegetal da Adab, Cássio Peixoto, o levantamento será iniciado nas divisas com os Estados de Sergipe, Pernambuco e Alagoas e, em seguida, nas principais regiões produtoras, em Bom Jesus da Lapa e no baixo sul do Estado onde contará com a parceria da Ceplac. Alagoas e Sergipe já registram a presença do patógeno.
“As recentes notificações de focos de moko em Sergipe e Alagoas, Estados que fazem divisa com a Bahia, têm preocupado o governo e os nossos bananicultores, principalmente os pequenos produtores, que têm nessa atividade sua principal fonte de renda. O controle da doença torna-se um desafio para produtores, técnicos e pesquisadores”, afirma o diretor de Defesa Sanitária Vegetal da Adab Cássio Ramos Peixoto.
O moko ou murcha da bananeira, causado pela bactéria Ralstonia solanacearum, causa prejuízos econômicos à cultura da banana e provoca, dentre outros sintomas, o escurecimento dos tecidos no interior do rizoma, a podridão mole na parte central do pseudocaule das plantas e cacho raquítico com podridão de frutos, quando o ataque acontece próximo à floração.
QUALIFICAÇÃO – Cerca de 70 técnicos da Adab participaram do treinamento em Medidas de Prevenção e Controle do Moko da Bananeira, que aconteceu, semana passada, na Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas.
Na oportunidade, os técnicos da Adab, EBDA, Ceplac e Mapa receberam treinamento para lidar com a doença em aspectos como sintomatologia, meios de prevenção e controle, além da elaboração de planos de contingência.
O treinamento foi ministrado por dois pesquisadores da Embrapa, Zilton Cordeiro e Aristóteles Matos. O evento foi aberto pela diretoria da Embrapa, Mandioca e Fruticultura e pela Diretoria de Defesa Sanitária Vegetal da Adab.
Causada pela bactéria Ralstonia solanacearum Smith (Pseudomonas solanacearum) raça 2, o moko está presente em todos os Estados da região Norte, com exceção do Acre. A transmissão e disseminação podem ocorrer de diferentes formas, como o uso de ferramentas infectadas e a contaminação de raiz para raiz ou do solo para a raiz. Outro veículo de transmissão são os insetos visitadores de inflorescências, tais como abelhas, vespas e mosca-das-frutas.