Produtor não consegue crédito para financiar safra

11/09/2007

Produtor não consegue crédito para financiar safra

 

Os produtores rurais estão com dificuldades em obter crédito, devido ao prolongamento das parcelas das dívidas vencidas. Apesar da publicação das portarias que autorizam a prorrogação, o Banco do Brasil - principal agente financiador do agronegócio - não está financiando aqueles que não pagaram as parcelas. Procurada, a instituição financeira não quis se pronunciar. A expectativa é que a situação se normalize hoje.

"Tenho ido quase todos os dias à agência", diz um produtor de Dom Pedrito (RS). O arrozeiro já comprou os insumos para a lavoura - a prazo - e precisa do financiamento para pagar a indústria. Segundo ele, se o crédito não sair, terá de pagar juros de 1,5% ao mês - a taxa de financiamento bancário é de 6,75% ao ano. Ele tem uma dívida de cerca de R$ 200 mil, sendo que R$ 70 mil estariam nas parcelas prorrogadas.

Há cerca de dois meses o governo definiu o alongamento das parcelas de custeios das safras 2003/04, 2004/05 e 2005/06 para um ano após o vencimento da última prestação. A prorrogação se daria em estudo caso a caso para todas as culturas - não só para o arroz. Segundo o presidente da Comissão de Crédito Rural da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto, "havia uma dificuldade de interpretação" e que por isso, ficou definido que todos sejam incluídos - sem análise caso a caso - desde que solicitem à instituição financeira. A expectativa é que a nova orientação chegue aos bancos hoje. "Toda dificuldade prejudica a compra dos insumos e a fluidez do processo que antecede o plantio", diz Sperotto. Segundo ele, as limitações podem atrasar os cultivos.

O presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Renato Rocha, alega que além do atraso, a dificuldade pode encarecer o custeio, pois muitos produtores estariam buscando outras instituições bancárias. Segundo ele, no caso do arroz, há outras exigências que estão prejudicando a tomada de crédito. Entre elas, a exigência de sementes certificadas, de adesão compulsória ao Proagro e a estipulação de um preço de garantia inferior ao de mercado. Segundo Rocha, a quantidade de sementes certificadas no estado é equivalente a um terço da necessidade. O diretor do Departamento de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wilson Araújo, explica que os bancos têm autonomia para fazer as exigências, uma vez que o risco é da instituição financeira. Segundo ele, o zoneamento agrícola permite o plantio de sementes certificadas e também próprias, desde que em conformidade com a Lei de Sementes.

Estima-se a lavoura arrozeira gaúcha demande cerca de R$ 600 milhões de crédito e que, em média, o Banco do Brasil responda por 40% deste volume. Rocha acrescenta ainda que a instituição afirma que concederá o mesmo limite do ano passado. No entanto, segundo ele, em 2006 havia menor disponibilidade de água no estado, fazendo com que os produtores reduzissem a área do grão. "Agora que o produtor quer plantar mais, não terá recursos suficientes", conclui. (Neila Baldi - Gazeta Mercantil)