MST desocupa fazenda após negociação bem-sucedida

13/09/2007

MST desocupa fazenda após negociação bem-sucedida

 

Cerca de 1,2 mil famílias de trabalhadores do Movimento Sem Terra (MST) desocuparam ontem a Fazenda Céu Azul, no município de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia.

Depois de 45 dias de ocupação da fazenda, de propriedade do Grupo Suzano Celulose, os sem-terra atenderam às negociações feitas pela Casa Militar do Governador, em parceria com a Ouvidoria Agrária Nacional e o Incra.

Eles deixaram a fazenda sem maiores conflitos, em cumprimento ao mandado de reintegração de posse expedido pelo juiz César Augusto Andrade, da comarca daquele município.

Durante as negociações, a Casa Militar contou com o apoio das secretarias da Agricultura (Seagri) e de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), inclusive com distribuição de cestas básicas.

60 fazendas – Desde o início do ano, a Casa Militar já obteve sucesso em negociações envolvendo a reintegração de posse em 60 fazendas em todo o estado.

Hoje, apenas quatro fazendas continuam em fase de negociações.

Na semana passada, as intervenções lideradas pela Casa Militar culminaram com a desocupação da Fazenda Alamã, que fica perto do município de Cachoeira.

Há um mês, as ações também obtiveram sucesso com a desocupação, sem conflitos, da Fazenda Mandacaru, em Santa Luz. Pelo menos, 300 famílias ocupavam o local.

Por ora, na escola

No caso da fazenda do Grupo Suzano Celulose, os sem-terra ficam agora, provisoriamente, em uma área pertencente à Escola Média Agrícola da Região Cacaueira (Emarc), situada no mesmo município.

"É uma situação provisória, enquanto o Incra avalia uma outra área para o assentamento definitivo", disse o diretor da Casa Militar, tenente-coronel Carlos Gomes.

O coronel Expedito Barbosa, o capitão Neildo Freitas e o tenente Carlos Taranto também participaram das negociações, além do ouvidor-agrário, desembargador Gercino da Silva Filho.

"O mais gratificante é saber que o governo vem obtendo sucesso nas desocupações, sem que seja preciso a intervenção de tropa policial militar", destacou Gomes.