PecNordeste começa hoje no Ceará
O evento terá debates centrados na sanidade animal, sobrevivência e competitividade da agropecuária
Adriana Thomasi
O Ceará pretende alcançar, no ano que vem, a classificação de área livre de aftosa, abandonando o grupo de Zona de Risco Desconhecido - sem o controle total do rebanho -, mais baixa classificação dos organismos internacionais, segundo o titular da secretaria de Agricultura e Pecuária (Seagri), Carlos Matos, que estará participando do VIII Seminário Nordestino de Pecuária, o PecNordeste 2004, que inicia hoje, com debates centrados na sanidade animal - sobrevivência e competitividade da pecuária.
O PecNordeste é provido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) em conjunto com a Confederação Nacional da Agricultura e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). O vice-presidente da Faec, Antonio Wilson de Pinho, espera reunir 3 mil pessoas, entre produtores, empresários, profissionais da área e estudantes, interessados nas palestras técnicas. "Caravanas do Rio de Janeiro e do Tocantins já confirmaram presença, além disso, recebemos inscrições isoladas de várias cidades do País", observa.
Mais espaço
O encontro deste ano envolve 10 eventos paralelos, entre os quais, a VIII Feira de Produtos e de Serviços Agropecuários, com abertura marcada para hoje às 11 horas, e que reúne 160 expositores, incluindo setores público e privado. O VII Simpósio da Associação Cearense de Técnicos Avícolas (Acetav), também faz parte da programação oficial, que inclui mostra do artesanato nordestino, gastronomia e vários cursos de especialização. Os organizadores esperam receber cerca de 15 mil visitantes, no total.
O PecNordeste 2004 contempla 11 segmentos: apicultura, avicultura, bovinocultura, caprinocultura, carcinicultura, estrutiocultura (criação de avestruz), ovinocultura, piscicultura, suinocultura, turismo no espaço rural e natural e eqüinocultura - novidade desta edição. Esta é a primeira vez o PecNordeste, inclui o tema eqüinocultura com palestras e cursos. A proposta inclui o treinamento de pessoal que trabalha em haras e também dos técnicos que vão atuar como multiplicadores.
O presidente do Núcleo Cearense do Manga-Larga Marchador, Paulo César de Sá Maia, coordenador da programação no segmento, diz que os cursos buscam formar mão-de-obra especializada para o setor. O Nordeste concentra rebanho de 1,3 milhão de eqüinos e o Ceará tem 137 mil cabeças, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A presença dos criadores no PecNordeste, pretende despertar novas vocações para as raças Manga-Larga e Quarto de Milha, a primeira voltada ao lazer e esporte, e a outra, nas vaquejadas, que lideram o setor no estado.
Fonte de renda e negócios para o turismo no meio rural, a ovinocaprinocultura, faz parte da proposta do pesquisador da Embrapa Caprinos, Francisco Selmo Fernandes Alves. "O rebanho brasileiro, estimado em 9,5 milhões de cabeças em 2003, tem total 93,7% ou 8,9 milhões concentrados no Nordeste", diz Alves. Conforme observa, a cotação de preço da carne gira em torno de R$ 2 o quilo por animal vivo, enquanto o litro de leite de cabra, varia de R$ 0,65 a R$ 1,00 e a pele in natura fica entre R$ 8,00 e R$ 12,00 a unidade, representando fonte de renda para os produtores da região.
Alves acrescenta ainda que os animais são mais resistentes à seca, apresentam consumo de alimento, em média, 10% menor do que os bovinos, produzem maior número de crias por parto e rapidez no retorno do capital investido, potencialidades com chances de ser aproveitadas, a partir da profissionalização dos produtores rurais. "Isso evidencia a importância do fortalecimento das associações de criadores, cooperativas, consórcios e convênios com universidades e empresas de pesquisa, a partir da integração do segmento turístico e agropecuário", afirma.
Avestruz
A estrutiocultura, por sua vez, se propõe a analisar o valor comercial do couro, carne e plumas, pontos enfocados nos painéis e workshops. O presidente da Associação dos Criadores de Avestruz do Estado do Ceará (Acace), Edmar Vieira Filho, diz que a venda da pele, via produtos acabados corresponde a 80% dos negócios do setor no País, enquanto 15% ficam com a carne, e 5% para plumas. A produção de carne de um animal adulto gera em torno de 30 quilos de carne, estima.
O rebanho nacional de avestruz é estimado em 150 mil cabeças - atrás de países como África do Sul (810 mil cabeças) e Estados Unidos (650 mil) -, tem no Sudeste maior concentração com 50%, seguido do Nordeste com 33%. "A meta é superar os 50%, baseado na migração das empresas de Sudeste para a nossa região", diz. O Ceará abriga 10 mil animais e 63 pequenos e médios criadores. Vieira, proprietário do Parque do Avestruz, empresa focada em planos de negócios, industrialização do couro, carne, e pluma, vendas de animais, e com show room permanente, afirma que o estado reúne boas condições para a expansão da estrutiocultura por estar a apenas seis horas da Europa, 300 dias de Sol por ano (uma estufa permanente) e custo de mão-de-obra mais em conta.
De acordo com o empresário, a pele de avestruz muito macia e com saliências naturais, torna o produto o segundo mais caro do mundo, perde para a de jacaré, tem mercado garantido entre os fabricantes de bolsas, botas, tênis, sapatos, maletas, carteiras, cintos e outros acessórios. Empresas como Gucci, Yves Saint Laurent e Cristian Dior fazem parte da lista de compradores do produto. As coleções de grifes conhecidas incluem botas que custam cerca de US$ 900 a jaquetas em torno US$ 2,5 mil, informa Viana.
Recursos financeiros
Para suporte aos negócios, o Banco do Brasil (BB) participa com uma "agência de agronegócios", e equipe técnica, encarregada das operações no local. A intenção é liberar recursos aos clientes, que estão o com cadastro em dia na instituição, no ambiente da feira, cuja estrutura permite atender a demanda por crédito dos agropecuaristas e abre a possibilidade para atender contratos futuros. O banco manterá a proposta até 90 dias depois da feira, com possibilidade de atendimento na agência de relacionamento do cliente, segundo Pio Gomes de Oliveira Júnior, gerente de mercado e agronegócios do BB no Ceará.
Tradicional presença no encontro, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) disponibilizará suas linhas normais de crédito, informa Carlos Alberto Pinto Barreto, gerente-executivo de fortalecimento das cadeias produtivas e estratégias territoriais. "A expectativa é aplicar R$ 600 milhões, até 2006, somente no setor de aqüicultura", adianta Barreto. Para a ovinocaprinocultura, o BNB já liberou em torno de R$ 90 milhões, desde 1995. O banco reservou estande e leva para a feira uma equipe disposta a orientar o produtor sobre as possibilidades de recursos.
O PecNordeste estará recebendo os visitantes entre 8h e 21h. A programação oficial será aberta às 9 h, no auditório principal do Centro de Convenções Edson Queiroz, em Fortaleza, e segue até sexta-feira, reunindo criadores, empresários e especialistas do setor.
kicker: Pela primeira vez o evento incluirá palestras sobre eqüinocultura