Algodão se destaca na pós-colheta
A cultura do algodão, implantada em grande escala no oeste baiano há cerca de dez anos, vem se destacando na produção nacional e na safra 2006/2007, que terminou de ser colhida.
Além disso, a fibra baiana representou cerca de 30% da produção brasileira. Da safra anterior para a atual, a região teve um aumento de 28,9% em área e um incremento de produção de mais de 30%.
Só na área do cerrado, foram plantados 276.824 hectares, por 174 cotonicultores, com uma produção estimada pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) de 1.007.314 toneladas do algodão bruto.
A fase atual é de movimentação nas 53 usinas de beneficiamento – que, neste período, proporcionam cerca de três mil empregos – e na logística de transporte da fibra e do caroço para os respectivos mercados consumidores.
A fibra, produto nobre do algodão, soma na região oeste 402,8 mil toneladas e se destina 60% ao mercado externo e 40% ao interno, representando entre 38% a 40% do algodão bruto.
Comercializada em grande parte no mercado futuro, na última sexta-feira, estava cotada entre
R$ 36 a R$ 38 a arroba (15 kg).
Segundo o pesquisador da Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento do Oeste (Fundação Bahia), Murilo Pedrosa, as cultivares mais antigas tinham uma porcentagem menor de fibra e, através de algumas pesquisas com melhoramento genético, as mais modernas buscam uma porcentagem maior da pluma. Pedrosa diz que a cultivar Delpa Opal, (que é usada por 90% dos cotonicultores da região) tem uma média de 40% de fibra.
Subproduto
O caroço de algodão (semente) é considerado o subproduto, apesar de representar cerca de 50% do algodão bruto. Ao ser prensado, produz óleo (usado no consumo humano, rico em vitamina E e antioxidante natural) e o bagaço, chamado de torta, é usado na ração animal.
Na região, a produção de óleo ainda é pequena e a quase totalidade do caroço in natura é vendida aos Estados do Nordeste.
Cotado na semana passada entre R$ 240 e R$ 260 a tonelada (mil quilos), o caroço é utilizado, em grande parte dos casos, como moeda de troca para os produtores que não possuem usina de beneficiamento própria e precisam se utilizar das indústrias que oferecem este serviço.
“Nós descontamos o valor do caroço no pagamento ao beneficiamento, pois entregamos a fibra prensada em fardos cobertos por tecido, pronta para as fábricas de fiação, agregando valor ao produto”, afirma o gerente da Daiba Cotton, Francisco José da Silva. Neste caso, a beneficiadora não se envolve na comercialização da fibra, apenas do caroço.
Mercado futuro
Otimista, o gerente da Daiba Cotton, Francisco José da Silva, diz que não consegue atender à procura, ressaltando que o caroço também é um bom negócio.
Como as usinas funcionam em pleno pique somente durante cerca de seis meses do ano, nos demais (quando é reduzido o quadro de funcionários e é feita a manutenção das máquinas e das instalações), a estrutura se mantém graças à comercialização antecipada do caroço no mercado futuro.
Distante cerca de dez quilômetros da cidade de Luís Eduardo Magalhães, a empresa Daiba Cotton tem, como a maioria das beneficiadoras da região oeste, dois conjuntos de máquinas e produz, anualmente, entre 12 mil e 15 mil toneladas de caroço, beneficiando por dia algo em torno de 4 mil arrobas de pluma.
Neste período pós-safra algodoeira, essas agroindústrias trabalham, em média, 21 horas por dia, com dois turnos de funcionár ios.
O gerente Francisco José, da Daiba Cotton, ressalta que, das impurezas, que representam 10% do algodão bruto, ainda é possível aproveitar também as cascas, utilizadas para a alimentação de animais ou como adubo orgânico, porém, com menor valor comercial, custando, em média, R$ 30 a tonelada.
Mercado de máquinas volta a aquecer
O algodão baiano deve movimentar a economia no oeste do Estado na safra 2006/2007 em R$ 1.625.000 (só no valor bruto de produção) e toda a cadeia da cultura apresenta uma reação positiva em relação à safra passada, quando problemas econômicos atingiram o setor, principalmente decorrentes do câmbio desfavorável aos produtos de exportação.
A expectativa é que, para a próxima safra, o setor de máquinas e implementos volte a se aquecer, pois 2006 foi considerado um dos piores anos para o segmento na região.
Essa situação refletiu não apenas os problemas do câmbio, mas também dos preços que, naquele período, sofreram uma redução de 30% em relação à safra anterior.
O presidente da Associação dos Revendedores de Máquinas e Equipamentos Agrícolas do Oeste da Bahia (Assomiba), Olmiro Flores, diz que “o mercado está reagindo e se encontra em curva ascendente, porém, sem aquela euforia de 2004, pagamento parcelado em cinco anos, fabricadas por multinacionais.
De acordo com Olmiro Flores, o oeste se destaca na produção e produtividade de algodão, não apenas pelas condições favoráveis de solo e clima, mas também porque os cotonicultores se utilizam das máquinas mais modernas do mercado internacional, com sistema de comunicação via satélite e apontamento do mapa de produtividade, por exemplo.
No entanto, diz, existe uma deficiência regional em relação à mão-de-obra para manutenção de máquinas. “As empresas têm que deslocar o pessoal para capacitar os mecânicos, operadores e técnicos”.
Quanto à área a ser plantada na safra 2007/2008, não há definição. O diretor-executivo da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Alex Rasia, ainda é cedo para ter uma estimativa, “mas, para a próxima safra, fala-se em novo aumento de área plantada, podendo chegar a 310 mil hectares”. (M.H.) quando os preços do produto estavam muito bons e a área teve um incremento de 140% em relação ao ano anterior”.
Quanto às plantadeiras, ressalta, “na safra passada praticamente não tivemos vendas e, em 2007, já estamos voltando ao normal com a negociação, até agora, de 250 unidades”. Há uma demora de cerca de 30 dias para a liberação dos créditos, porque os bancos estão mais cautelosos, frisa.
Beneficiamento
O presidente da Assomiba afirma que os cotonicultores estão saindo da fase de colheita e agora se preocupam com o beneficiamento e a entrega do produto. “Em seguida, ele [o produtor] vai definir a área a ser plantada e depois pensar em comprar as colheitadeiras [que são específicas para o algodão, diferente das demais, que servem tanto para milho como para a soja]”.
As colheitadeiras de grãos custam entre R$ 300 mil e R$ 700 mil. Já as fabricadas exclusivamente para colher algodão custam em torno de US$ 280 mil (de cinco linhas) e US$ 380 mil (as de seis linhas), com pagamento em cinco anos, fabricadas por multinacionais.