Ordenha manual de leite exige cuidados básicos de higiene
Em uma propriedade do agreste pernambucano, um pequeno produtor chamado Severino Bezerra levanta antes de o sol raiar para executar uma tarefa diária: tirar o leite das vacas. Todavia, cuidados simples de higiene na ordenha do leite eram dispensados, pois o produtor costumava secar os tetos da vaca com o próprio rabo do animal, em vez de utilizar toalhas de papel, um procedimento correto.
Água nem sequer existia no curral, para a lavagem dos tetos dos animais, antes da ordenha.
Com isso, as Unidades Formadoras de Colônias de bactérias (UFC) por mililitro de leite mantinhamse altas, segundo pesquisadores da Embrapa Gado de Leite.
No Brasil, um grande número de produtores (mais de 80%) retira leite manualmente. Segundo informações da Embrapa Gado de Leite, a contagem bacterianacostuma ser bastante alta.
Isto ocorre devido a procedimentos incorretos que levam a uma higiene deficiente tanto dos tetos da vaca quanto das mãos dos ordenhadores e dos utensílios utilizados no procedimento. De acordo com pesquisadores da Embrapa, montar um kit para ordenha custa em torno de R$ 150. Além disso, serão necessários mais R$ 12 para compra de papel-toalha, cloro comercial e detergente alcalino em pó, para a limpeza.
HIGIENE – Na Fazenda São José, na região deMorro Redondo, município de Barro Preto, a 454 km ao sul de Salvador, o produtor Fernando Botelho utiliza a ordenha manual, mas ressalta que a higiene é condição essencial para negociar 80 dos 100 litros de leite produzidos diariamente pelas 50 cabeças de gado girolando e holandês que tem em sua propriedade. “A observância da higiene é condição para eu continuar como fornecedor para uma fábrica de laticínios, em Itabuna, que me compra o leite”, diz.
Tradicional produtor de cacau, Botelho começa a diversificar suas atividades com a pecuária leiteira.
Por isso, ainda não está capitalizado o suficiente para aumentar a produção e fazer a coleta mecânica do leite, que tem custo alto. Uma estrutura mecanizada do tipo balde ao pé – indicado para pequenos produtores que estão iniciando na ordenha mecânica – não sai por menos de R$ 2 mil.
ETAPAS – A tarefa da ordenha começa por volta das 5 horas da manhã, quando todo o gado é trazido para o curral. O vaqueiro conhece as vacas pelo nome. Ele pega o bezerro e o leva até a mãe, para mamar um pouquinho. “Isso ajuda a soltar o leite”, diz o administrador da fazenda, Antônio Cândido dos Santos. Minutos depois, o vaqueiro apeia (amarra) as patas traseiras da vaca e pega uma cordinha, com a qual faz um cabresto no bezerro e o amarra na pata direita da vaca.
Com os animais já preparados para a coleta, o vaqueiro pega uma vasilha com 1/2 litro de água limpa e lava o úbere e os tetos do animal, enxugando-os com pano apropriado.
Na seqüência, pega um balde de dez litros e o banquinho, senta-se e tira o leite com as mãos, bem lavadas, sem luvas. A maioria das vacas produz em torno de 8 litros e outras duas 14 litros.