Controle Biológico combate pragas

17/09/2007

Controle Biológico combate  pragas

 

 

 

O Brasil é o maior produtor mundial de citros, destacando-se os Estados de São Paulo, Bahia e Sergipe. O litoral norte e o Recôncavo baiano representam o segundo pólo produtor de citros do País, com cerca de 52 mil hectares da faixa litorânea do Nordeste ocupados por 19,2 milhões de plantas cítricas.

Porém, a ocorrência de diversas pragas contribui significativamente para a redução da produção dos pomares cítricos no Estado, um perigo para a manutenção sustentável da citricultura.

Várias pesquisas foram desenvolvidas para se estabelecer um controle eficaz das pragas, com menores impactos para o meio ambiente. O controle biológico surgiu como alternativa viável de controle, ou seja, usando inimigos naturais para controlar as pragas.

De origem asiática, o minador das folhas dos citros (MFC) Phyllocnistis citrella é considerado atualmente uma das pragas de maior importância para a citricultura mundial. Mede cerca de quatro milímetros, tem coloração branca a prata, brilhante, plumosa, com pêlos escuros. Apresenta asas anteriores mais estreitas, com um ponto preto na extremidade, característico da espécie.

O minador tem este nome porque abre galerias nas folhas. “O primeiro registro de ocorrência do minador-das-folhas-dos-citros no Brasil foi em março de 1996, em pomares cítricos de Iracemápolis, São Paulo. Desde então, dispersouse rapidamente, atingindo praticamente todos os Estados produtores de citros”, salientou o pesquisador Antônio Nascimento, da EmbrapaMandioca e Fruticultura Tropical, de Cruz das Almas (a 146 km de Salvador).

Infestação

 

Os danos causados pela larva minadora dos citros dependem do nível de infestação da praga, podendo comprometer a fotossíntese, causar queda prematura de folhas e impedir o desenvolvimento da brotação. “A larva minadora causa os maiores prejuízos emviveiros e empomares novos, devido ao ataque às folhas mais novas e brotações. As folhas, quando atacadas, secam, ficando sem realizar fotossíntese, resultando em reduções na produção de frutos e no crescimento da planta”, explicou o pesquisador.

Conforme diz Nascimento, o controle biológico é um fenômeno dinâmico natural que consiste na regulação do número de plantas e animais por inimigos naturais os quais se constituem nos agentes de mortalidade biótica. “Assim, todas as espécies de plantas e animais têm inimigos naturais atacando vários estágios de vida”.

O controle deve ser iniciado na primavera, no estágio inicial das brotações, período de desenvolvimento da lagarta.
O controle biológico utilizando o parasitóide Ageniaspis citricola demonstrou grande eficiência no combate da praga, com custos reduzidos para o agricultor.

Na Bahia, foram montados dois laboratórios para criação e produção do parasitóide: um na Estação Experimental de Alagoinhas e o outro na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, em Cruz das Almas.