Lavoura do cacau terá R$ 2,4 bi
A Comissão Executiva de Plano de Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, pode estar com os dias contados. Durante audiência ontem no Senado, o ministro Reinhold Stephanes sinalizou que, “sem querer fazer polêmica”, algumas áreas de competência da Ceplac poderiam ser assumidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e outros departamentos do ministério.
>De toda forma, ele preferiu ressaltar que o mais importante no momento é formatar o chamado PAC do Cacau, pacote de ajuda ao setor que enfrenta grave crise. Segundo Stephanes, o programa de reestruturação da cacauicultura da Bahia deverá contar com R$ 300 milhões anuais nos próximos oito anos. Sua expectativa é que, até dezembro, a União anuncie o ponto mais esperado do pacote: a renegociação das pesadas dívidas dos produtores e injeção de recursos.
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse em Brasília que tratou ontem pessoalmente da crise do cacau com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, os detalhes do pacote serão anunciados logo. Na sua opinião, a Ceplac não precisa ser extinta, mas pode ser modernizada, ganhando novo perfil de atuação.
Durante a audiência com Stephanes, o senador César Borges (DEM-BA) condenou a possibilidade de extinção do órgão. “Ruim com ela, pior sem ela”, disse. O deputado federal José Rocha (PR-BA) discordou e acha que a Ceplac ficou secundária diante da discussão PAC do cacau.
Borges mostrou preocupação com a possível revisão de critérios de avaliação de produtividade do Incra, segundo a qual fazendas de cacau só seriam consideradas produtivas com 700 quilos por hectare. “Isso nunca foi atingido. Se a revisão for feita, toda região produtora de cacau será passível de desapropriação”, disse. Segundo o senador, a produtividade média do cacau foi de 0,33 tonelada por hectare em 2005.
O ministro da Agricultura desculpouse por ter se ausentado da última audiência solicitada pelo Senado para debater a crise do cacau e disse estar convencido de que essa cultura é um bom negócio.
Além disso, reconheceu que boa parte dos R$ 700 milhões cobrados dos produtores foi resultado de orientações erradas do próprio governo federal para melhorar produtividade e combater as pragas dessa lavoura, como a vassourade-br uxa.
Segundo César Borges, as indústrias de moagem de cacau em Ilhéus já pensam em fechar as portas, porque precisam de 220 mil toneladas por ano, e a Bahia está produzindo, neste momento, apenas 105 mil toneladas-ano, precisando importar o restante.