Espremer ao máximo dá lucro
Há menos de dois anos, no município de Filadélfia, a 374 km de Salvador, umbu, cajá e maracujá nativo eram uma espécie de segunda classe de frutas. A situação começou a mudar quando um grupo de mulheres resolveu ver os frutoscom outros olhos.
Resistentes ao clima seco do semiárido, capazes de sobreviver às agruras da caatinga, as três frutas viraram fonte de renda para as componentes da Associação dos Pequenos Produtores de Jacaré (APPJ), um distrito de Filadélfia. “A gente começou fazendo artesanato, e era pouco lucrativo. Foi aí que a gente pensou em polpa de fruta para vender de casa em casa”, relata Maria José de Amorim, uma das associadas à APPJ.
Ela fez parte do grupo que lançou o embrião da produção da polpa em pequena escala, atividade que hoje dá emprego a pelo menos 20 mulheres, diretamente envolvidas na confecção do produto.
O que começou com um freezer e uma despolpadeira, doados por uma instituição religiosa, e uma produção inicial d e 100 pacotes semanais, hoje chega a 500 kg de polpa ao mês, e a perspectiva de conquista de novos mercados, além da vizinhança. Um grande entrave encontrado pela associação era a falta do CIF, documento para a venda do produto caseiro.
“Antes, os comerciantes queriam comprar nosso produto, mas não podiam, pois não tínhamos o CIF”, observa Maria José.Para comemorar a ocasião, no dia 28, uma cerimônia simples deverá marcar a passagem de dez anos da APPJ. Com o CIF, a perspectiva é que, a partir de fevereiro, sejam produzidos pelo menos cinco mil quilos de polpa de frutas.
“Mas o umbu é o nosso carro-chefe”, destaca Maria José, que ainda cita manga, acerola e abacaxi entre os principais produtos confeccionados pela APPJ.
Treinamento
O Sebrae acompanha o grupo desde que foram dados os passos iniciais da produção de polpa de frutas. O coordenador estadual de agronegócios do Sebrae na Bahia, Josival Caldas, observa que os componentes da associação receberam treinamento em relação ao cooperativismo e boas práticas de produção de alimentos, algo que se refere à segurança alimentar, com o objetivo de assegurar a qualidade e higiene na fabricação das polpas. Caldas ainda acrescenta que a APPJ não é a única associação a gerar emprego e renda entre os pequenos produtores rurais, a partir do potencial das frutas.
A Cooperativa de Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc) acerta os últimos detalhes para exportar o terceiro carregamento de polpa de frutas para o mercado internacional. Os cooperados devem exportar cerca de 40 mil potes de polpa pré-cozida de frutas, doce cremoso e de corte para a Áustria. A Coopercuc reúne 13 comunidades rurais nos três municípios, divididas em 36 grupos, que, juntas, beneficiam cerca de cerca de 30 mil quilos de frutas ao ano, informa a coordenadora administrativa do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), Elizabete de Oliveira. O IRPAA é quem coordena as ações da cooperativa.
A ampliação de mercado para produtos derivados de frutas tem garantido expansão do negócio para as fabricantes de bens de produção para o setor. A Itametal, que opera no ramo, registra incremento de pelo menos 20% ao ano no volume de negócios. “Estamos apostando que o ritmo se mantenha”, observa o diretor-executivo da empresa, Cléber Bonina.