Novas tecnologias aumentam produção de alho em Cristópolis

24/09/2007

Novas tecnologias aumentam produção de alho em Cristópolis


A produção de alho em Cristópolis e Cotegipe, no extremo oeste da Bahia, pode alcançar uma de suas maiores colheitas dos últimos anos. Com 140 hectares plantados, a estimativa da safra 2007 é produzir mais de 1.000 toneladas, alcançando uma produtividade de oito toneladas por hectare. Nesses municípios, com cerca de 120 hectares, a safra foi de apenas 360 toneladas em 2003, uma produtividade de três toneladas por hectare.

 O avanço na produção de alho é resultado do apoio técnico da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura, em parceria com a Embrapa Hortaliças, através da adoção de sementes livres de vírus, técnicas de espaçamento que aumentam a produção, assistência técnica continuada e capacitação.

“Os agricultores foram orientados a trabalhar com o alho comum (cultivar amarante), um material de qualidade, originado de cultura de tecido (livre de vírus), produzida em laboratório pela Embrapa e bem aceito na região. A expectativa é de uma grande colheita”, assegurou o chefe do escritório da EBDA em Cristópolis, Darlan Miranda.

Nessa colheita, que começou em julho e vai até outubro, a melhoria na qualidade do alho já foi observada pelos agricultores familiares dos municípios. “Com as orientações que recebemos, estamos substituindo o antigo sistema de produção pelas novas técnicas de espaçamento, obtendo maior qualidade na hora da colheita e da comercialização do alho”, disse o agricultor de Cristópolis José Borges, com 1,5 hectares.

Competitividade

Novas técnicas de análise de solo, da água, o uso de adubos, herbicidas, da qualidade fitossanitária do alho semente, manutenção da viabilidade das áreas de produção a longo prazo, também estão sendo difundidas aos agricultores pelos técnicos da empresa. De acordo com Darlan, uma nova variedade de alho nobre que produz um bulbo (formato da cabeça do alho) de melhor aparência e qualidade será disponibilizada aos agricultores até janeiro de 2008.

Para o agricultor Mário Luiz, o crescimento tem sido visível, após a orientação dos técnicos da empresa. “Está sendo muito importante pra nós, porque antes tínhamos um alho ruim, de baixa qualidade e hoje temos um alho bom, competitivo no mercado. Além disso, eles ainda nos ajudam com acompanhamento, tirando nossas dúvidas”, comentou.
A boa fase vivida na região é resultante também da iniciativa da empresa em capacitar os agricultores familiares, garantindo ao produto competitividade no mercado. Através de palestras com técnicos da região Oeste e da Chapada Diamantina, e com a presença de técnicos da Embrapa Hortaliças, a EBDA mostrou aos agricultores novas tecnologias para o aumento da produtividade.

“São trabalhos de assistência técnica, orientação, com áreas demonstrativas e intercâmbio com agricultores da Chapada, para que haja a troca de experiências. O que a empresa deseja é que eles possam produzir mais e com melhor qualidade” afirmou Darlan Miranda.

Comercialização

O alho produzido na região de Cristópolis e Cotegipe é vendido em réstias (tranças), e o preço chega a ser competitivo com o do mercado, em torno de R$ 4,00 a R$ 5,00. Nessa época de colheita, a comercialização do alho na região gera empregos, movimenta o comércio e contribui para o desenvolvimento local. “Contrato 15 pessoas da comunidade e pago R$ 0,20 por réstia produzida. Tem pessoas que conseguem fazer até 100 por dia e chega a aumentar em R$ 440,00 o orçamento familiar”, ressaltou o agricultor José Borges.

João Oliveira, outro agricultor, proprietário de 0,5 hectare de alho consorciado com feijão, cenoura e mandioca, demonstrou sua satisfação com a colheita. “O alho que já colhi estou vendendo nas feiras de toda a região, além dos compradores que adquirem em grande quantidade e vendem em outros estados”, afirmou Mario Luiz. Na região o alho é vendido em réstias com 50 bulbos.

Cultura em Cristópolis

 Cristópolis tem na atividade agropecuária a base de sua economia, constituída, na sua maioria, por culturas de subsistência, dentre elas, o alho. Há décadas, a cultura do alho é baseada no empirismo dos agricultores, envolvendo em torno de 130 famílias, cultivando uma área aproximada de 140 hectares, cuja receita contribui com 40 % da economia do município.

 Com sua extensa área territorial e diversificada condição de clima e solo, a Bahia apresenta condições favoráveis para uma exploração economicamente rentável dessa cultura. Pelas suas características predominantemente de pequenas áreas (1,2 hectare por família), o alho em Cristópolis gera, exclusivamente nos tratos culturais, 2.500 a 3.000 empregos no período de fevereiro a outubro.

 A tecnologia de produção adotada no município era a menos indicada, com uso de material inadequado, espaçamento, tratos fitossanitários, adubação insuficiente, etc. Os agricultores utilizavam alho semi-nobre, entretanto, usavam a mesma semente há 20 anos, ao contrário do que preconiza a técnica, ou seja, comercializavam os bulbos maiores e utilizavam o refugo como alho semente para implantação das lavouras, obtendo assim baixas produtividades, inferiores a cinco toneladas por hectare.


 24/09/2007
 EBDA – Assessoria de Imprensa
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