Perdigão teve melhor nota de risco do setor no mundo

25/09/2007

Perdigão teve melhor nota de risco do setor no mundo

 

A melhor classificação de risco de crédito no setor de carnes do mundo é de uma brasileira: a Perdigão S.A.. Ontem, a Moody’s Investors Service atribuiu à empresa a nota Ba1 estável - apenas um nível abaixo do chamado "grau de investimento". O resultado foi que as ações da empresa subiram 5,24% - a maior alta da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no dia. O rating permite que a empresa possa captar recursos no exterior e consegui-los a taxas mais baratas, além de valorizá-la. A Perdigão ficou à frente da sua principal rival, a Sadia e de gigantes mundiais como a Tyson. Foi a primeira classificação da empresa feita pela agência.
"O processo de rating deixa a empresa pronta a captar no mercado internacional", diz Leopoldo Viriato Saboya, gerente Financeiro Corporativo da Perdigão. De acordo com ele, esta captação será em um momento mais adequado, pois agora não existe necessidade e o mercado está muito turbulento. Na avaliação de Saboya, a classificação da empresa é resultado da "consistência, ligada a um plano de longo prazo, em que dilui os riscos e à alta governança corporativa da empresa. Ele acrescenta que o rating mostra que cada vez mais a Perdigão será uma "empresa de classe mundial".
O analista da Moody’s, Soummo Mukherjee, explica que contribuíram para a boa avaliação da empresa o percentual da receita advinda de produtos processados - que a deixa menos vulnerável -, a diversificação dos negócios, os baixos custos, a rede de distribuição e a governança. No segmento de carnes, apenas a norte-americana Hormel tem classificação A2 (grau de investimento), que tem 85% da receita oriunda dos processados. Mas, segundo Mukherjee, esta encontra-se em outra classe. "Muitos fundos avaliam o risco antes de investir na empresa", explica o analista. Para Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, o rating da Perdigão é um "reconhecimento de que a empresa é sólida, com gestão eficiente, que traz bons resultados aos acionistas". Segundo ele, o resultado é que a empresa vai se valorizar, atraindo investimentos e criando um ciclo de prosperidade.
Mukherjee diz que apesar da boa classificação a empresa ainda está vulnerável ao risco de doenças, pois 40% das exportações são de carne in natura - minimizado com a diversificação. Ele lembra que no último ano a Perdigão entrou no setor de lácteos e, recentemente, no de carnes bovinas. Acrescenta ainda que para chegar ao grau de investimento a empresa precisa, entre outras coisas, manter a relação dívida Ebitda abaixo de 2,5 vezes e que o rating pode sofrer rebaixamento se a margem Ebitda cair abaixo de 10%.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Neila Baldi)