Seagri analisa terreno para projeto piloto

Foto: Manuela Cavadas
Com o objetivo de avaliar e criar condições para a construção de um galpão exclusivo para a comercialização de produtos oriundos da agricultura familiar, num terreno de 10 mil metros quadrados, uma comitiva formada pela Superintendência da Agricultura Familiar (Suaf), e por membros de organizações sociais, que integram a Câmara Técnica de Comercialização esteve na manhã de hoje (25) visitando a Central de Abastecimento, situada na estrada Cia/ Aeroporto.
A disponibilização deste terreno pela Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que gere a Ceasa, é fruto da articulação entre a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e a própria Ebal, para a realização de um projeto piloto na área para os pequenos agricultores. Segundo o superintendente da Suaf, Ailton Florêncio, a proposta de um ponto de comercialização dos produtos da agricultura familiar fortalece o segmento.
“Com a venda direta, lucra o produtor, o consumidor e a sociedade em geral. O produtor, ao eliminar o atravessador, tem um ganho superior a 60%. Já o consumidor vai levar pra casa um produto de qualidade e mais barato”, afirmou Florêncio, ao exemplificar que o inhame é vendido pelo produtor a R$ 0,80 o quilo e chega na Ceasa, pelas mãos dos atravessadores, por R$ 1,20, ainda tendo um acréscimo ao entrar nas redes de supermercados e feiras livres.Para o coordenador de comercialização da Suaf, Guilherme Cerqueira, a Ebal deve ser mais que um parceiro de vendas, mas uma instituição que apóie os empreendimentos da agricultura familiar. “Não é uma política de compra e venda, mas uma política pública para a inclusão social”, complementou.
Edinabel Caracas, assessora da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf/BA), que participou da comitiva, fez questão de pontuar que o gargalo da agricultura familiar não é a produção, mas a comercialização. “De nada adianta o incentivo à produção se não existir oportunidades de venda vantajosas para o pequeno produtor. Infelizmente, muitos agricultores familiares têm seu espaço disputado pelos atravessadores”, admitiu Caracas.
Próximos passos
De acordo com o superintendente da Suaf, o próximo passo é a analise entre as secretarias da Agricultura (Seagri) e da Indústria, Comércio e Mineração (Sicm) para viabilidade da construção do galpão, com recursos do Fundo Estadual de Combate erradicação da Pobreza (Funcep). Para isso, são exigidos alguns critérios como, adequação e padronização dos produtos, embalagens, entre outros, que já estão previstos dentro das estratégias da
Suaf. A previsão é de que dentro de pouco mais de uma semana o resultado do estudo seja conhecido.
Estiveram na comitiva representantes da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag), Associação Brasileira de Empreendimentos do Comércio justo e Solidário (Ecojus), Instituto de Permacultura da Bahia (IPB) e União de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bahia (Unicafes).
Ceasa
A Central de Abastecimento foi fundada em Salvador, no ano de 1973 e, segundo o gerente de mercado, Joselito da Silva, o órgão manteve sua estrutura desde lá, o que comprometeu o seu papel inicial de atender diretamente aos produtores. “Hoje, os principais fornecedores da Central são grandes comerciantes ou empresários”, declarou Silva, ainda otimista com a possibilidade de criação de um novo espaço da agricultura familiar.
A Ceasa possui uma área de 17 galpões para venda diferenciada no atacado e varejo de hort-fruti e hortaliças, que abrigam 1322 módulos e bases de venda setorizados, no atendimento aos comerciantes.
25/09/2007
Seagri - Assessoria de Comunicação
Ana Paula Loiola
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