Café da Bahia segue rumo ao conceito de qualidade mundial
O caminho da cafeicultura na Bahia é o incremento dos chamados cafés de qualidade, direção na qual o consumo do brasileiro cresce a passos largos. Ramiro Souza, da Secretaria da Agricultura, cita estimativa de que o mercado interno para os cafés de qualidade cresce cerca de 6% por ano, contra o pico de 2% da média do mercado referente à bebida.
A Bahia tem vocação para a vertente, algo demonstrado a partir de prêmios nacionais, concedidos a produtores radicados no Estado.
Um pequeno produtor da Chapada Diamantina recebeu cerca de R$ 4,4 mil por saca de 60 kg de café, como premiação pela qualidade reconhecida pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
“Houve um tempo no qual o café especial era em grande parte exportado, mas agora vemos o crescimento da demanda interna”, aponta Sílvio Leite, da Assocafé.
As áreas tradicionais de plantio de café em solo baiano são o Planalto de Conquista, Chapada Diamantina e sul baiano, enquanto o oeste do Estado, que planta café irrigado, é a mais nova frente de expansão da cultura na Bahia. No quesito produtividade, os cafeicultores radicados na Bahia apresentam performance superior à média nacional, com uma média de 21 a 22 sacas por hectare, contra 14 a 16 sacas por hectare.
Consumo
O último levantamento realizado pela Abic mostra que, no período de maio de 2006 a abril de 2007, o consumo de café no País aumentou 5,81% em relação a maio/2005 e abril/2006. Na prática, significa uma evolução no consumo de 15,95 milhões de sacas para 16,9 milhões de sacas. “Sem dúvida, é a maior qualidade ofertada pelas indústrias que tem feito os tradicionais consumidores tomarem mais café e que tem atraído novas pessoas para a bebida”, aponta o presidente da Abic, Guivan Bueno, em recente artigo divulgado no site da associação.
Considerando que o consumo médio aumenta em 79 mil sacas por mês, pode-se dizer que, ao final de junho de 2007, o mercado interno no Brasil já havia ultrapassado os 17 milhões de sacas, prossegue Bueno.
O presidente da Assocafé, Sílvio Leite, observa que os maiores consumidores de café no mundo são os americanos, com cerca de 18 a 20 milhões de sacas, o que coloca o mercado brasileiro na segunda posição mundial. “Hoje, temos, no mercado interno, grande vertente de crescimento”, aponta Leite. A Abic trabalha com a previsão de que o consumo no País feche 2007 num volume equivalente a 17,4 milhões de sacas (mais de 50% da safra).
Ainda de acordo com a Abic, o consumo per capita no período pesquisado foi de 5,52 kg de café em grão cru, de 4,41 kg de café torrado, ou quase 73 litros para cada brasileiro por ano. (Luiz Souza) .