Pinheiro-do-paraná pode ser muito mais rentável vivo
Cruzamentos direcionados poderão garantir a sobrevivência de uma árvore brasileira ameaçada de extinção: a araucária, também conhecida como pinheiro-do-paraná. A excepcional qualidade de sua madeira levou à derrubada de milhares de km2 da espécie, restando apenas 1% das matas nativas. Porém, uma pesquisa que busca formas de recompor as matas mostra que a araucária pode ser mais rentável como fornecedora de frutos (o pinhão) e usa diferentes métodos para obter exemplares que produzam pinhões que sejam mais robustos e saudáveis.
O agrônomo Flávio Zanette, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), lidera a pesquisa. Ele elaborou em 2001 um plano de polinização dirigida da araucária com o objetivo de realizar combinações genéticas que a natureza não pode fazer sozinha. Em 2003 surgiram os primeiros pinhões produzidos por uma árvore clonada e em 2005 foi feito o primeiro cruzamento dirigido entre clones. Os resultados positivos apareceram em maio passado: enquanto as pinhas comuns pesam em média 3,5 kg, com a polinização dirigida poderão pesar até 8 kg.
A equipe passou então a fazer cruzamentos das melhores 'plantas-mãe' com as melhores 'plantas-pai' e a usar técnicas de propagação in vitro (em que brotos são tratados com reguladores de crescimento até criar raízes, quando então as mudas crescem protegidas em uma estufa) e de microenxertia, na qual se enxerta o ápice de uma araucária adulta nas mudas para acelerar o crescimento.
O pesquisador afirma que o pinhão é um ótimo alimento, com 55% de amido e até 8% de proteínas e aponta também outro produto de valor propiciado pela araucária: a grimpa, ou sapé - galhos secos que, depois de moídos, podem ser usados como adubo ou combustível. Além disso, ele destaca a importância ecológica da espécie.
- A araucária protege nascentes e margens de rios, além de retirar carbono da atmosfera, o principal gás de efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.