Combinação adversa derruba commodities agrícolas no exterior
Valorização do dólar em relação a outras moedas, movimentos de realizações de lucros e agressivas vendas de fundos de investimentos derrubaram as cotações das principais commodities agrícolas ontem nas bolsas americanas, em um dia de pressão também sobre os preços do petróleo e dos metais.
Entre os produtos agrícolas, o trigo foi o que mais sofreu. Em Chicago, os contratos do cereal com vencimento em dezembro caíram 30 centavos de dólar, para US$ 9,2250 por bushel. O mesmo tombo foi registrado em Kansas, onde igual vencimento fechou a US$ 9,1925. Nas duas bolsas, 30 cents é a maior desvalorização permitida.
A decisão da estatal egípcia General Authority for Supply Commodities de comprar um carregamento de 80 mil toneladas de trigo russo, e não americano, também foi considerada uma influência baixista, mas o fato é que o mercado estava "terrivelmente sobrecomprado", como disse Jim Bower, presidente da Bower Trading.
Apesar da baixa, os preços seguem em elevado patamar, e a restrição de oferta derivada da persistente estiagem australiana ainda oferece suporte às cotações.
Outro que despencou em Chicago foi o milho. Os futuros do grão para entrega em dezembro também foram ao limite de baixa, 20 centavos de dólar, e fecharam a US$ 3,4875. Março recuou 20 centavos, para US$ 3,6550.
Além dos fatores citados, ajudaram a pressionar o grão a acelerada colheita nos EUA e as perspectivas de boa produtividade das lavouras. A projeção divulgada pela FC Stone para a produção do país nesta safra 2007/08, em linha com o que já havia informado o USDA - o departamento de agricultura americano - não teve grande influência sobre as cotações.
No caso da soja, em contrapartida, a nova estimativa da FC Stone, superior à última previsão do USDA, foi a cereja que faltava para enfraquecer de vez as cotações em Chicago. Novembro perdeu 47,75 centavos de dólar por bushel e fechou a US$ 9,4375, menor valor desde o dia 13 de setembro, e a tsunami arrastou o óleo e o farelo.
Outro que pegou carona na onda baixista foi o algodão. Na bolsa de Nova York, os contratos para outubro caíram 175 pontos, para 60,30 centavos de dólar por libra-peso, ao passo que dezembro fechou a 63,24 centavos, retração de 187 pontos. Mas as projeções de redução da produção mundial mantêm o mercado sustentado.