Cotação define oportunidades
As cotações dos preços de produtos, elaboradas e divulgadas pelos órgãos que atuam no setor agropecuário, costumam apresentar sutis variações de um instituto para outro. Essa diferença, porém, não significa que um ou outro órgão esteja trabalhando de forma distorcida.
De acordo com o coordenador de Disseminação de Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Joilson Rodrigues, o que costuma acontecer com os órgãos que realizam coletas é que a divulgação dos preços médios levam em conta as características do produto e seu valor naquele mercado específico.
“Os preços podem dar uma sensação de inadequação em função de suavizarem as médias existentes entre produtos de maior ou de menor qualidade dentro da mesma praça”, explica Rodrigues. Trocando em miúdos, o processo de cotação de preços é praticamente o mesmo em todos os órgãos. Na Secretaria Estadual de Agricultura, a cotação é feita diretamente com os produtores. Diariamente, uma funcionária da instituição liga para as fontes e checa os preços dos produtos comercializados no dia.
VALORES – Do outro lado da linha, uma funcionária do centro de distribuição ou o próprio produtor passa a relação dos valores praticados.
No município de Jaguaquara, por exemplo, é a funcionária da Ceasinha local, Mara Freitas, quem fornece a cotação dos preços de verduras, hortaliças e frutas para o órgão. “Os preços desses itens, produzidos aqui na região, variam muito durante o dia, a depender da oferta e da demanda”, explica.
De acordo com Mara, isso se justifica porque muitas vezes os próprios produtores querem negociar logo seus produtos, enquanto outros preferem esperar para garantir a escassez, o que pode garantir uma ligeira alta. No município, conta Mara, a cotação é divulgada durante todo o dia na rádio local. “Com isso, os produtores já chegam aqui sabendo o valor pelo qual está sendo cotado o seu produto”, ressalta.
Esse mesmo processo se repete em localidades como Juazeiro, Irecê, Itapetinga, Feira de Santana e demais regiões produtoras. A partir de hoje, estão incluídas as praças de Barreiras e Jequié na cotação que é divulgada neste caderno pela Secretaria da Agricultura.
Na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a cotação é feita mais ou menos da mesma forma. A diferença é que o órgão, responsável pela política de preços dos produtos agrícolas, usa como fontes também algumas entidades sindicais de produtores e órgãos públicos como o IBGE e a EBDA.
De acordo com técnico da Coordenação de Apoio Logístico e Gestão da Oferta, Genival Batista de Barros, as pesquisas servem também para alimentar o banco de dados da instituição. “Fazemos um paralelo dos valores e isso produz um extrato dos preços praticados naquela região”, explica.
O trabalho de coleta de preços da Conab é semanal e o técnico afirma que há pouca oscilação entre um preço e outro. “Se houver uma grande safra, o preço tende a cair. Havendo um inverso, o preço costuma subir”, ressaltou.
Para manter o equilíbrio do mercado, a Conab costuma agir em prol dos produtores. No caso das grandes safras, a instituição costuma comprar a produção para manter o preço. “Isso para que o produtor não tenha perdas. Montamos um pólo de compras para aquisição dos produtos e depois estocamos a mercadoria para doarmos depois para assentamentos”, disse.
“Os preços podem dar uma sensação de inadequação em função de suavizarem as médias existentes entre produtos de maior ou de menor qualidade dentro da mesma praça“ Joilson Rodrigues, coordenador de Informações do IBGE