Álcool sobe 71% nas usinas em sete...
São Paulo, 29 de Dezembro de 2005 - Segundo informa Gouvêa, esse valor elevado explica a alta para até R$ 1,70 o litro no Estado de São Paulo.
Os preços do álcool cobrados na bomba já se aproximam do limite estabelecido pelo nível de eficiência do combustível, a valer o critério de que o consumo de um litro de álcool corresponde a 70% da gasolina. Era consenso entre os usineiros que, para manter a confiabilidade do produto, era desejável que o preço do álcool hidratado não ultrapassasse a 60% do valor da pago pela gasolina comum.
A situação do consumidor paulista ainda é um pouco melhor do que em outros estados, onde a tributação sobre o combustível é mais pesada. Em São Paulo, para estimular o consumo, o governo do estado reduziu o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para 12%, enquanto que em outros Estados, como o Rio de Janeiro, o combustível é tributado em 25%.
A decisão da Agência Nacional do Petróleo (ANP), tomada no início de dezembro de obrigar as distribuidoras de combustíveis de adicionar corante alaranjado ao álcool hidratado para evitar a fraude conhecida como "álcool molhado", que consiste no adicionamento de água ao álcool anidro para vendê-lo como hidratado com impostos reduzidos, se refletiu no mercado. Segundo alguns usineiros, houve uma corrida ao mercado, já que as distribuidoras precisam se preparar para atender à exigência, que começa a valer a partir de 1 de janeiro. Levando em conta este fato, para alguns usineiro, a alta ocorrida em dezembro, não deverá ocorrer nos próximos meses, mesmo com avanço da entressafra.
A situação hoje difere muito da observada em junho, quando o litro custava R$ 0,58 e o valor refletia a oferta elevada do combustível e forte concorrência na indústria. Em plena safra, a possibilidade de as usinas de álcool barganharem bons preços no mercado era reduzida. As condições se tornaram mais favoráveis para o setor na medida que a safra foi evoluindo e o mercado detectou sinais de que a oferta do produto neste ano estava próxima da procura.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 8)(Isabel Dias de Aguiar)