Adab estabelece vazio sanitário da soja na Bahia
A partir de agora, todos os produtores de soja têm até o dia 15 de outubro de cada ano para atualização do cadastro junto a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), órgão vinculado a Secretaria da Agricultura. A medida está na Portaria nº 623 de 05 de outubro de 2007, que tem como objetivo instituir ações e medidas fitossanitárias para prevenção e controle da ferrugem asiática da soja no Oeste do Estado, assim criando um vazio sanitário para a cultura da soja no Estado.
O vazio, que acontece na entressafra, estabelece a ausência total de plantas vivas da cultura da soja por um período de 60 dias entre 15 de agosto a 15 de outubro de cada ano. Essa ação pretende reduzir a quantidade do fungo phakopsora pachyrhizi, agente causador da praga, no campo. Outro ponto, que a medida vai atingir é na redução da utilização de agrotóxico, tendo em vista que a cultura da soja consome uma grande quantidade de defensivo, cerca de duas aplicações por safra.
De acordo com o diretor de defesa sanitária da Adab, Cássio Peixoto, a meta é que seja feita apenas 1,5 aplicação por safra. “Parece pouco, mas é uma quantidade expressiva em vários aspectos, refletindo principalmente na questão financeira, reduzindo os custos do produtor para a compra de defensivo, e causando impacto ambiental menor”, explicou.
Referência Nacional
O Programa Estratégico da Ferrugem Asiática da Adab é considerado referência nacional, principalmente no que diz respeito à articulação com os setores produtivos. “O próximo passo é conscientizar os produtores sobre a nova portaria”, informou o diretor de defesa sanitária vegetal do órgão.
Segundo Peixoto, diferente de outros Estados, a portaria foi colocada em discussão através de consulta pública, voltada para os produtores. “Consideramos esta medida democrática e transparente, pois foi discutida entre os diversos membros da cadeia produtiva da soja, tais como prefeituras municipais, produtores, Associação de Irrigantes da Bahia (Aiba), Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Uneb e Embrapa da Soja”, conclui.
A decisão de adotar 60 dias para o vazio, enquanto que a maioria dos outros estados utiliza 90, é para não onerar o custo do produtor quanto à retirada de plantas durante o vazio. Outros Estados produtores de soja no país, tais como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, já adotaram o vazio sanitário anteriormente.
A última incidência da ferrugem asiática no Estado ocorreu na safra de 2002/2003, o que gerou uma perda de 30% da safra e acarretou um prejuízo de U$ 150 milhões. A soja é cultivada na região Oeste da Bahia, numa área de 850 mil hectares. Na última safra a produção foi de 2,295 milhões de toneladas com uma produtividade estimada de 48 sacos por hectare.
Ascom/ Adab – 08/10/07
Mariana Bião - marianabiao@adab.ba.gov.br
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