Excesso de bagaço nesta safra causa mais despesas ao usineiro
Um maior índice de fibra na cana-de-açúcar e ajustes térmicos nas usinas somaram-se para causar um problema adicional à atividade: o excesso de bagaço de cana. Segundo estimativas da União das Usinas do Oeste Paulista (Udop) o excedente é de 1,6 milhão de toneladas de bagaço, o equivalente a 5% da moagem de cana na região (125 milhões de toneladas). "Essa sobra é muito maior que a do ano passado e a solução ao médio prazo será a substituição das caldeiras para produção maior de energia para ser vendida ao Sistema Elétrico Nacional", avalia o presidente da Udop, José Carlos Toledo. O que ocorreu é que os preços da tonelada do bagaço, que na safra passada chegou a atingir R$ 25, estão agora entre R$ 3 e R$ 5, devido ao excesso de oferta.
"O que era uma receita adicional, agora é prejuízo para usina. Isso porque o custo com transporte do bagaço é maior que o valor pago por ele este ano", diz Cláudio Nunes, superintendente do grupo Uniálcool. Ele conta que no ano passado o excedente de bagaço ficava entre 2% e 3% da produção e que neste ano está em torno de 10%. "A área onde alojamos esse bagaço - ao redor da caldeira - já está quase toda ocupada. Se não conseguirmos vender o subproduto, teremos problemas para estocar", diz Nunes.
O excedente, segundo ele, se deve à melhora no balanço térmico das unidades produtoras, que aumentou a eficiência de uso de vapor em 18%. "No ano passado, eram utilizados 520 gramas de vapor por tonelada de cana, volume que caiu para 440 gramas nesta safra", conta. Na safra passada, a Uniálcool gerou excedente de 60 mil toneladas de bagaço de cana, que foram todos comercializados a R$ 15 a tonelada (com indústrias que também têm co-geração a partir do bagaço), somando uma receita à usina de R$ 900 mil.
Desde o início da safra, em abril, até agora, a empresa gerou 100 mil toneladas de bagaço, das quais apenas 30 mil foram comercializadas ao preço de R$ 3 a tonelada, cinco vezes menos do que o valor médio do ano passado e abaixo do custo de movimentação desse bagaço na usina, que é de R$ 5 a tonelada, segundo Nunes. Segundo ele, em alguns meses do ano passado, a tonelada do bagaço chegou a valer R$ 25 na região de Araçatuba.
Na usina Alvorada d’Oeste, em Ribeirão Preto, o excesso de bagaço está sendo "estocado" em uma área emprestada do vizinho a céu aberto, segundo informações da assessoria técnica da usina. Por isso, técnicos da unidade estão tendo que monitorar o tempo todo o subproduto pois o sol e a seca retira a água do bagaço e aumenta o risco de incêndio.
Segundo a assessoria da usina, o excedente de bagaço da co-geração é de 13%, percentual que nesta safra aumentou para 16%, apesar de nenhum ajuste térmico ter sido feito. Além da maior quantidade de fibra no bagaço, o aumento da colheita mecânica também contribuiu para gerar mais excedente do produto, segundo Toledo, da Udop. kicker: Algumas usinas têm de "armazenar" o bagaço de cana a céu aberto, o que aumenta os riscos de ocorrência de incêndios