Soja derruba movimento no porto do Rio Grande
Seca prolongada diminuiu embarques em 80%; estocagem tem ociosidade de 1,7 milhão de ton.. A forte seca que atingiu o Rio Grande do Sul no começo de 2005 provocou queda de 79,5% na exportação de soja em grão pelo porto de Rio Grande, no extremo sul do Estado, que movimentou em onze meses apenas 467,6 mil toneladas, ante 2,2 milhões em igual período do ano passado."Para se ter idéia da ociosidade, a capacidade de estocagem aqui em Rio Grande é para 1,7 milhão de tonelada", informa o superintendente, Vidal Áureo Mendonça.
Ainda dentro do complexo soja, o farelo também teve queda, recuando de 1,72 milhão de toneladas em 2004 para 1,27 milhão de toneladas em 2005, diminuição de 26%. O óleo de soja foi outra carga que teve envio para o exterior reduzido em 24,9%. O trigo, que em 2004 elevou as exportações de produtos agrícolas, registrou queda 48,7%. "Fizemos algumas ações, como a de exportar 224 mil toneladas de arroz. No ano passado foram apenas 24 mil toneladas", compara Mendonça.
Carga geral avança
Embora o porto gaúcho tenha obtido crescimento em alguns setores, como é o caso da carga geral, de 5,1%, a queda na movimentação de produtos agrícolas fez com que fechasse os 11 meses do ano com baixa de 20,3% em relação a 2004: de 20.8milhões de toneladas em 2004, para 16.5milhões de toneladas esse ano. O superintendente, Vidal Mendonça, estima que a expectativa é fechar o ano com movimentação ao redor de 18 milhões de toneladas.
A movimentação de carga geral avançou de 5.5 milhões de toneladas em 2004 para 5.8 milhões de toneladas nesse ano. "Esperávamos um índice maior, mas ele é compreensível em função do câmbio depreciado e as dificuldades do Estado com as compensações de créditos de ICMS", disse o superintendente, Vidal Mendonça.
O segundo semestre de 2005 deverá fechar com movimentação de contêineres superior a do 1º semestre, prevê ele. Nos seis primeiros meses do ano foram exportados e importados 313 mil Teu’s, enquanto que nos cinco meses do segundo semestre foram movimentados 301 mil Teu’s. Com média mensal de 50 mil Teu’s operados, o segundo semestre deverá fechar acima de 351 mil Teu’s. Em 11 nesse ano foram operados 614 mil Teu’s, chegando a quase o total movimentado em todo o ano de 2004, que foi de 617 mil Teu’s.
Calçados
O aumento de contêineres deve-se principalmente ao crescimento, em média, de 14% nas cargas reefers (contêineres refrigerados), como o caso da maça e das carnes de frango, bovina e suína. Outras cargas, também em alta nas operações de contêineres, são calçados, móveis, arroz, maquinários e o fumo.
Outro destaque no segmento de carga geral foi a movimentação de rodantes. Em onze meses de 2005 foram movimentados 13.5 mil rodantes, enquanto que no mesmo período de 2004 foram operados 6.5 mil unidades, crescimento de 108,9%.
As exportações de rodantes neste mesmo período tiveram incremento de 4,8%, com destaque para embarque de ônibus, com alta de 367,1%. Os tratores tiveram crescimento de 3,8%, atingindo 3.630 unidades.
O incremento nas operações de rodantes também se deve as importações que registraram crescimento de 522,8%, atingindo 8.216 unidades, contra 1.319 nos onze primeiros meses de 2004.
kicker: Oleo de soja foi outra carga que teve envio ao exterior reduzido em 24,9% neste ano; o trigo também registrou queda, de 48,7%
(Gazeta Mercantil/Gazeta do Brasil - Pág. 12)(Guilherme Arruda)