Aracruz amplia base florestal e dobra investimento
São Paulo, 10 de Outubro de 2007 - Câmbio afeta os resultados do terceiro trimestre e lucro líquido da empresa recua 6%. A brasileira Aracruz Celulose - líder global em celulose de eucalipto - começou o ano com projeção de investimentos de R$ 540 milhões no País mas terminará 2007 com aportes estimados em R$ 1,24 bilhão (no ano passado foram R$ 706 milhões) A empresa acelerou os planos de compra de terra e também quitou antecipadamente um débito de R$ 215 milhões da Veracel, na qual produz celulose em parceira a sueco-finlandesa Stora Enso.
"Estamos sempre buscando boas oportunidades e elas surgiram este ano para a compra de terras no Rio Grande do Sul e na Bahia. Para a empresa é normal esta expansão nos investimentos, já que estamos em processo de crescimento e otimização das fábricas", disse diretor financeiro da companhia, Isac Zagury.
A Aracruz investiu, até o final de setembro, R$ 180,8 milhões em compra de terras e florestas e mais R$ 209,7 milhões em plantio de novas árvores. Já os outros aportes florestais, industriais correntes, otimização de fábricas e outros projetos levaram mais R$ 433,8 milhões.
Para o último trimestre a empresa prevê investir mais US$ 85 milhões entre aquisição de terras para seu projeto em Guaíba (RS) e em seu porto, o Portocel, entre outras aplicações regulares. Haverá mais US$ 26 milhões em investimentos na Veracel, fabricante de celulose na qual detém 50% de participação.
Veracel com linha nova
Os planos da Aracruz são para uma nova linha de produção na Veracel, com cerca de 1,3 milhão de toneladas ao ano de celulose, como o mais provável para sua fábrica conjunta com a Stora Enso. A Stora Enso já havia informado que, além da ampliação, tem planos de somar pelo menos mais 1 milhão de toneladas a produção da Veracel até 2015. Além disso, a Stora Enso considera a geração de energia e outros insumos na nova unidade.
"Faz todo o sentido a visão da Stora Enso. Quanto a ampliação, eu diria até que 1,3 milhão é o novo patamar tecnológico de fábricas de celulose", disse Zagury.
Tributação reduz lucro
A Aracruz anunciou ontem um lucro líquido de R$ 260,9 milhões no terceiro trimestre. Houve uma queda de 6% em relação ao lucro de igual período em 2006. Neste período a empresa sofreu um revés com seu plano de proteção cambial via parte de sua dívida em moeda norte-americana. Segundo o executivo, com a desvalorização do dólar frente ao real no período, a empresa teve um "ganho extraordinário, que pela legislação deve ser tributado, logo tivemos uma tributação alta sobre isso", disse
A empresa teve um total de receitas financeiras de R$ 74,9 milhões no terceiro trimestre, sendo que no mesmo período de 2006 esta despesa foi de R$ 7,6 milhões. As vendas da Aracruz no terceiro trimestre somaram 753 mil toneladas, ante as 747 mil toneladas negociadas no mesmo período do ano passado, alta de 1%.
As despesas monetárias e cambiais foram de R$ 66,4 milhões no período, sendo que no terceiro trimestre de 2006 houve receita de R$ 3,1 milhões. Já o lucro antes do impostos somaram R$ 348,2 milhões, crescimento de 37% no período. A receita líquida da empresa também teve queda, de 7%, e somou R$ 873 milhões. A geração de caixa medida pelo Ebitda foi de R$ 394,4 milhões, queda de 13% na comparação com igual período de 2006.
A empresa teve também prejuízos operacionais com as paradas de manutenção no trimestre passado, foi a parada programada para manutenção em Barra do Riacho (ES), e da antecipação do quarto para o terceiro trimestre da parada para manutenção da fábrica de Guaíba (RS).