Baixa no Sobradinho preocupa ribeirinhos

11/10/2007

Baixa no Sobradinho preocupa ribeirinhos

 

O reservatório do Lago de Sobradinho, no norte do Estado (a 558 km de Salvador), perdeu 62% de sua capacidade nos seis últimos meses em virtude da falta de água nas regiões sul e sudeste. Como o sistema é interligado, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) cedeu, mas descarta o risco de apagão. A direção de operações da empresa assegura que a situação é normal.
“Houve necessidade de utilização de energia acima do esperado devido à determinação da Agência Nacional de Energia elétrica (Aneel).
Mas isso pôde ser viabilizado sem risco de apagão porque existem previsões de muitas chuvas para os próximos meses”, explica Edson Gonçalves, assessor da gerência da Chesf em Sobradinho.
Ele informa que esses 38% restantes podem subir rapidamente no período chuvoso, que vai de novembro a abril do próximo ano. “Se estivéssemos gerando o mínimo de energia, o volume estaria elevado, mas quanto mais se gera energia, mais água é gasta”, afirma.
O lago estava, em abril deste ano, com 100% de sua capacidade, registrando vazões crescentes que chegaram até a 6 mil m³/s, causando inundação em casas e plantações de vários agricultores ao longo do rio. Hoje, com a diminuição do nível do reservatório, a população está temerosa.

RECUO DA ÁGUA – A situação gerou alguns contratempos para quem vive às margens do lago, a exemplo de Edvan da Silva Barbosa, que é gerente da Associação de Criadores de Peixes de Sobradinho (Acripeixess) e teve que transferir os 63 tanques de tilápias que devem ser comercializadas no final do ano na região. Na área onde ele está, a água recuou aproximadamente 30 metros.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sobradinho, João Bezerra de Oliveira, acredita que os agricultores da região não devem aproveitar esse período de redução no nível do lago para plantar nas margens descobertas, o que deve despreocupar a Chesf.
“Todos já demonstram uma conscientização quanto às normas e evitam plantar muito próximo ao lago”, esclarece, sabendo que a prática sempre gera confusão em períodos de cheia do lago, pois as águas invadem as plantações irregulares fazendo com que os produtores percam as culturas.
O sindicato, garante o presidente, faz constantemente um trabalho de conscientização nas áreas onde hoje existem cerca de 100 agricultores, mas sempre aparece alguém que insiste em plantar perto do rio.
A idéia é fazer com que essas pessoas entendam que o plantio desordenado, o uso de agrotóxicos e o assoreamento são destrutivos à natureza, à saúde das pessoas, além de que podem afetar o consumo de água e abalar os criatórios dos peixes quando as águas do lago subirem novamente.
“Esperamos que as chuvas sejam boas e que os produtores não tenham prejuízos”, conclui João Bezerra de Oliveira.
Conhecido como o maior lago artificial do mundo, com quatro mil quilômetros de espelho d’água, o Lago de Sobradinho pode armazenar até 34 bilhões de metros cúbicos de água. Atualmente, está com vazão média de 2.800 m³/s até o dia 18 de outubro, podendo sofrer alterações não programadas devido a necessidades operacionais. A vazão de restrição do vale é de até 8.000 metros.