Missão rechaça temores europeus
Alvo preferencial de desconfianças e críticas internacionais relacionadas à sustentabilidade de seu agronegócio, o Brasil começa a encontrar na iniciativa privada instalada no país apoio efetivo para tentar se desvencilhar das acusações - legítimas ou não.
É o que Carlo Lovatelli, que preside a Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), define como uma "postura mais pró-ativa" do empresariado nessa frente, onde, até agora, os movimentos foram principalmente de reação.
Foi essa nova atitude que levou Lovatelli, que também é diretor da Bunge, a organizar uma missão que acaba de retornar da Europa. Co-liderada por Luiz Carlos Corrêa Carvalho, vice-presidente da Abag e executivo do grupo sucroalcooleiro Alto Alegre, participação da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja) e apoio do Itamaraty, o "Road Show de Sustentabilidade", como foi batizada a iniciativa, esteve na Alemanha, Holanda, Bélgica e Inglaterra, entre os dias 25 de setembro e 5 de outubro.
Na Alemanha, conta Lovatelli, o grupo se reuniu com a cúpula da ONG Greenpeace, esteve na Câmara de Comércio Alemanha-Brasil e foi recebido pela embaixada brasileira e pelos ministérios da Economia e da Agricultura alemães. Na Holanda, passou por Roterdã, debateu com a Coalizão Holandesa da Soja, encontrou-se com representantes dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente e esteve com produtores locais de ração. Na Bélgica, o principal compromisso foi uma exposição no Parlamento Europeu, em Bruxelas, e na Inglaterra a passagem foi rápida.
Em linhas gerais, resume Lovatelli, a viagem foi marcada pelo interesse europeu por produtos do agronegócio brasileiro - a União Européia absorve quase 35% das exportações do setor do país -, especialmente etanol, e pelo crescente temor com o avanço de pecuária, soja e cana na Amazônia.
Foi debatida com profundidade, ainda, a disseminação da soja transgênica no país e o futuro do mercado do grão convencional e orgânico, mas mesmo a preservação do cerrado e a qualidade da carne bovina brasileira também motivaram questionamentos.
Contra o desmatamento, Lovatelli disse aos europeus que soja e cana podem recorrer a áreas de pecuária para avançar, que as indústrias estão rigorosas com seus fornecedores e que todo um trabalho de certificação para produtos sustentáveis está em curso. Sobre os transgênicos, a missão reiterou que os compradores de grãos convencionais e orgânicos precisam oferecer vantagens (prêmios, basicamente) mais interessantes.