Frete menor faz o Nordeste subir no ranking de renda

18/10/2007

Frete menor faz o Nordeste subir no ranking de renda

 

São Desidério (BA) foi o município com a maior receita oriunda da lavoura, segundo o IBGE. A localização geográfica da produção agrícola nordestina foi a maior responsável pela mudança no ranking dos 10 maiores municípios brasileiros em valor de produção - preço médio da lavoura multiplicado pela colheita. Segundo levantamento divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em grãos e na fruticultura, o Nordeste foi beneficiado e alcançou as primeiras posições em receita.
A pesquisa mostra também que as 63 culturas temporárias e permanentes cultivadas no País ocuparam uma área de 62,3 milhões de hectares em 2006 (3% menor que a do ano anterior), gerando um valor de produção de R$ 98,3 bilhões - 2,9% superior. O crescimento foi impulsionado pela cana-de-açúcar, café e laranja.
O líder nacional em receita oriunda da lavoura foi São Desidério (BA) - tanto no global quanto em grãos. De acordo com o instituto, o município gerou no ano passado R$ 709,2 milhões com a produção agrícola, superando Sapezal e Campo Verde - ambos em Mato Grosso - que sofreram grandes reduções no valor da produção devido à safra menor e aos preços mais baixos da soja, do milho e do algodão. Carlos Alfredo Barreto Guedes, analista agrícola do IBGE, explica que o diferencial foi o frete.
O município é o quarto maior em produção de grãos no País, com 1,17 milhões de toneladas - o primeiro é Sorriso (MT), com 2,2 milhões de toneladas - mas obteve preços melhores por sua colheita, ultrapassando assim os municípios mato-grossenses. Em receita, São Desidério era o terceiro no ranking nacional em 2005. Os três maiores municípios em receita do campo têm como ponto forte a produção de grãos.
A fruticultura foi responsável pela entrada de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) na lista dos dez municípios brasileiros com maiores valores de produção agrícola. Neste segmento também houve mudança no ranking nacional. Petrolina segue como líder em receita com fruticultura: R$ 424,9 milhões, e passou à frente de Bento Gonçalves (RS) na produção de uva: 25 mil toneladas a mais que o município gaúcho. Com isso, consolidou-se no primeiro lugar na receita obtida com frutas em todo o País e aparece em sexto lugar no ranking agrícola global.
Guedes explica que os municípios nordestinos se destacaram porque produzem fruta - principalmente uva e manga - para exportação. No caso da uva, a liderança de Petrolina ocorreu porque houve redução na produção de Bento Gonçalves em virtude de problemas climáticos.
Na cafeicultura, o ciclo bianual da cultura foi o responsável pela variação no ranking nacional. Segundo o levantamento do IBGE, no ano passado, Patrocínio (MG) obteve o maior valor de produção, com R$ 135 milhões, superando o líder de 2005 - Jaguaré (ES), que ficou com R$ 118,5 milhões. Guedes destaca o crescimento da receita da cultura em todo o País: 20%, somando R$ 9,3 bilhões. No ranking nacional agrícola (todas as culturas), Patrocínio aparece em 46 lugar.
Na lavoura canavieira não houve mudança no ranking nacional. A liderança segue absoluta do município de Morro Agudo (SP), com receita de R$ 223,3 milhões. A cidade é a maior produtora de cana-de-açúcar no País, com 7,8 milhões de toneladas, o que representa 1,7% do total nacional. Considerando toda a produção agrícola nacional o município é o 26 no valor de produção.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Neila Baldi)