Brasileiro consome menos carne bovina no País

22/10/2007

Brasileiro consome menos carne bovina no País


Estamos na contramão. Enquanto, em vários outros países, como a China, o consumo per capita aumenta, no Brasil, seus habitantes estão comendo menos carne bovina.

Isso é lamentável e extemporâneo, pois é inequívoco que o poder de compra do brasileiro aumentou enquanto a carne baixou de preço.

Uma triste constatação: no ano de 1995, o consumo per capita no Brasil era de 42,6 kg. No ano em curso, despencou para 30,6 kg, segundo informações do Anualpec 2007, edição da FNP/Consultoria.

Mais grave: o consumo de frango aumentou no mesmo período, de 21,8 kg para 38,1 kg, superando em muito o consumo per capita da carne, conforme revela o Anualpec.

Não cabe, em nenhuma hipótese, a alegação de aumentos de preço, pois a cotação da arroba de boi e o preço do frango têm recuado nesse período.

Estudo da Scott Consultoria registra que ambos recuaram em proporções muito parecidas. A arroba do boi era cotada acima de R$ 72 em 1995 e caiu para R$ 50 em 2007, enquanto o quilo do frango saía a R$ 1,75 naquele ano e recuou para R$ 1,16 neste ano.

O levantamento diz ainda que o consumo total de carnes (frango mais bovina) passou de 64,4 kg para 68,7 kg, o que confirma a teoria da elasticidade renda da demanda de proteínas animais. Traduzindo: quando aumenta a renda, aumenta a demanda de carnes.

Já as exportações explodiram e o País é hoje o primeiro do ranking mundial. Muitos fatores ocorreram simultaneamente para justificar essa explosão, entre eles os surtos de BSE no Canadá e na Europa, o surto de aftosa no Uruguai e Argentina, o fortalecimento e aprimoramento da capacidade gerencial de nossos frigoríficos e a melhoria da qualidade do nosso gado e da nossa carne.

Porém, o fator mais relevante foi, sem dúvida, a queda dos preços do boi gordo.

Dentro desse cenário paradoxal, há necessidade e urgência em se convocar à reflexão todos os elos participantes da cadeia produtiva da carne, em especial os diretores, associados e os grupos técnicos que compõem o SIC (Serviço de Informação da Carne), que funciona para demonstrar a importância da presença desse alimento nobre na mesa dos nossos conterrâneos de Norte a Sul do País.

O SIC, criado para promover o consumo da carne e para servir como fonte de informações técnicas e científicas sobre os diversos segmentos de nossa atividade, é aceito com simpatia e solidariedade por todos, mas não consegue até hoje uma estrutura financeira e organizacional que permita uma atuação mais abrangente.

Timidamente, iniciamos uma campanha já em circulação: “Você gosta, você pode, você precisa”, trabalho que busca incentivar o consumo, mostrando cortes extremamente baratos que podem produzir excelentes pratos para enriquecer a dieta do brasileiro, principalmente aquele das classes menos favorecidas.

Atualmente, estamos também empenhados em campanha emergencial e conjuntural para a defesa da carne brasileira na Europa, alvo de ataques principalmente dos produtores da Inglaterra e Irlanda.

Vamos mostrar o “brazilian beef, naturally healthy” para todo o mundo, a partir da exposição de Anuga, em Colônia, na Alemanha, a maior feira internacional de alimentação do planeta.

Aqui está o X da questão: como promover grandes campanhas com um minúsculo orçamento? É fundamental que todos os participantes desse jogo se convençam de que nós estamos perdendo terreno dentro de nossa própria casa e de que é preciso olhar com mais atenção para a promoção de nosso produto.

A longo prazo, entendemos também que se faz urgente definir com clareza as áreas para atuação permanente do SIC.

Lembramos que muito pode ser feito com recursos financeiros não tão vultosos, com destaque para pesquisas que eliminem dúvidas quanto aos benefícios do consumo de carne.

Que mostrem como é saudável incluir cada vez mais a carne no cardápio dos brasileiros.

Citamos alguns exemplos de pesquisas que devem ser desenvolvidas e que estão em consonância com o momento atual. Temas sobre meio ambiente, seqüestro de carbono, saúde humana, sanidade animal, rastreabilidade, trabalho escravo e infantil, entre outros, estão sendo utilizados para agredir a pecuária brasileira. É função do SIC esclarecer e informar com respaldo científico quanto aos mitos e realidades da carne produzida no Brasil.

É urgente a definição de pesquisas a serem encomendadas na área ambiental. Elas devem obrigatoriamente abordar os efeitos da pecuária no aquecimento global e no seqüestro de carbono, na emissão de metano, no desmatamento e na área ocupada. Afinal, o boi de capim precisa permanentemente de capim renovável.

Será que o seu crescimento não seqüestra carbono e libera oxigênio? O balanço da pecuária a pasto pode muito bem ter um saldo positivo a favor do meio ambiente. A ciência pode responder a essa questão; precisamos convocá-la.

É premente que se pesquise e divulgue os efeitos de uma dieta equilibrada, rica em carne para a melhoria da saúde de nossa população, economizando recursos indispensáveis do nosso desfalcado orçamento do Sistema de Saúde Pública.

É importante o acompanhamento e a colaboração do SIC na área sanitária animal e na rastreabilidade, que procura garantir à dona-de-casa a qualidade e a origem do alimento que ela leva para sua mesa.

Convoco todos os membros da cadeia produtiva da carne a descruzarem os braços e a reagirem a essa inaceitável condição de perdedores de mercado.