Nova técnica de gotejamento é usada no plantio de bananeiras
Produtores do município de Canudos (413 km de Salvador) investem no cultivo de banana-prata como principal fonte de renda na região.
É no perímetro irrigado que aproximadamente 80 colonos trabalham, muitos há quase 30 anos, com a cultura que abastece o mercado interno, mas tem foco central em Sergipe (SE), que absorve 90% da produção. Todo o perímetro é irrigado por gravidade. Mas um dos colonos, José dos Santos Nascimento, o conhecido Seu Deca, apostou em uma novidade e está aplicando novas técnicas a partir de gotejamento.
“A idéia é economizar água, e isso pode ser comprovado pelos resultados que consegui”, afirma o colono. Por gravidade, o consumo de água é de 2 mil l para cada 20 pés de banana, mas, com o gotejamento, o consumo caiu para 20 l para os mesmos 20 pés da fruta, assegura.
Seu Deca diz que o consumo de água de cada produtor é de 96 horas ao mês, o que dá um total de R$ 140 de gastos com a água que vem do Açude de Cocorobó.
“Temos que pensar em reduzir as despesas para que sobre mais dinheiro. Os compradores vêm até aqui e compram o cento de bananas a um preço de R$ 6”, afirma. O gotejamento “diminui os gastos até para limpar a área, pois não é preciso contratar pessoal para fazer o trabalho”, explica. Ele e outros 1.200 produtores formam hoje uma cooperativa que também pretende trabalhar com beneficiamento de banana, como doce em compotas, de corte e geléias.
Filtro
De maneira artesanal, Seu Deca construiu um filtro para coar a água antes que ela chegue à plantação de bananas. São duas caixas de cimento, onde a maior recebe a água diretamente do canal, passando primeiro por um coador. A água que enche a caixa passa por mais um coador antes de ir para a segunda caixa, que distribui para a plantação.
Segundo Seu Deca, essa preocupação é para evitar que os canos de envio de água para as bananeiras fiquem entupidos de bagaços e algas que podem atrapalhar a canalização de água. Construído há mais de 30 anos, o Perímetro Irrigado Vaza Barris de Canudos, que tem cerca de 1.230 hectares, já chegou, segundo os produtores, “desatualizado e precisa urgentemente de recursos para melhorias e moder nização.
Emprego
José Ourivaldo Ribeiro do Amarante, comerciante e contador em Canudos, diz que o município poderia receber ajuda para desenvolver outras atividades que gerassem emprego e renda aos muitos jovens da região que estão deixando o lugar em busca de novas oportunidades.
“Nós parecemos estar num lugar esquecido pelo governo e só quem ainda nos dá apoio é o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas)”, diz.
“A piscicultura, por exemplo, é uma atividade que pode dar trabalho a muita gente aqui”, garante. O escoamento da produção agrícola local é prejudicado ainda pela ausência de manutenção das estradas, que afasta os compradores.
“Se houvesse incentivo, com certeza haveria mais viabilidade financeira para as atividades desenvolvidas em Canudos”, completa .
“A pesca já teve seus melhores dias em Canudos”, como conta Marcos Gomes de Souza, presidente da Colônia de Pescadores, que tem cerca de 300 associados.
Em tempos mais fartos, lembra, era possível pegar com fartura tilápia, tucunaré, traíra, tambaqui, dentre outras espécies. A colônia foi desativada por um tempo, mas voltou a funcionar em 1991. A espera por dias melhores para a agricultura e a pesca faz parte do desejo de outros agricultores, como é o caso de Francisco Catita de Jesus, que tem 62 anos e mora na Fazenda Trecho, a 15 km de Canudos.
“Seria bom se houvesse eletrificação em minha propriedade, que fica a menos de 1 km de onde tem”, afirma. Ele e a esposa plantam feijão, mandioca , mas, “se aqui tivesse mais oportunidades de emprego e estudo, melhorias na saúde e educação com apoio maior na área rural, não seria preciso nossos filhos deixarem suas casas”.
Beneficiamento
A agricultura de Canudos, dentro ou fora do perímetro irrigado, tem gerado bons frutos, mesmo com as dificuldades.
Em conjunto com produtores da área de sequeiro dos municípios de Uauá e Curaçá, todos localizados no semiaacute;rido baiano, os produtores são responsáveis hoje por uma experiência exemplo de sucesso no setor de beneficiamento de frutas características do sertão. Mês passado, o grupo fechou a primeira negociação independente para exportação de doce cremoso de umbu, que foi enviado ao mercado francês.
Pesquisas da Embrapa SemiÁrido de Petrolina (PE) e do Instituto da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) desenvolvem há algum tempo experiências no cultivo de fruteiras nativas, como o umbuzeiro e o maracujá do mato, para os períodos de longa estiagem.
Os produtores que fazem parte da experiência são acompanhados por técnicos do IRPAA.