Programa do Algodão beneficia 700 agricultores familiares do Vale do Iuiú

22/10/2007

Programa do Algodão beneficia 700 agricultores familiares do Vale do Iuiú

 

Foto: Manuela Cavadas

Preocupado com a recuperação da cultura do algodão no Vale do Iuiú, que tem como base a agricultura familiar, o Governo do Estado lançou hoje (22), em Guanambi, o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cotonicultura, que beneficiará 700 pequenos produtores em oito municípios. O programa, desenvolvido pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), tem o objetivo de incorporar novas tecnologias e disseminar o uso de sementes adequadas à região, além de capacitar e dar assistência técnica aos beneficiados.

Segundo o secretário da Agricultura, Geraldo Simões, a meta é organizar a agricultura familiar para que a cadeia produtiva do algodão possa ter começo, meio e fim e que na próxima safra o segmento possa ser auto-suficiente. “Foram dois meses trabalhando no Programa da Revitalização do Vale do Iuiú, para que os esforços dos agricultores sejam revertidos para eles e não fiquem na mão dos atravessadores. Tudo será aproveitado. Retiraremos o óleo para o biocombustível e para fazer a ração, além da venda das plumas”, explicou.

Para o governador Jaques Wagner, também presente ao lançamento, esse programa tem um começo consistente, por conta dos cuidados com a sua elaboração e a determinação do governo em dar sustentabilidade à agricultura familiar. A sua expectativa é que em pouco tempo possa comemorar os frutos deste programa. “Não viemos vender ilusões nem milagres, mas lançar um programa estadual de retomada da cultura do algodão em parceria, principalmente com os agricultores familiares, mostrando que este segmento não é de coitadinho, mas de trabalhadores fortes de pequenas localidades”, disse o governador.

Sustentabilidade

O programa é baseado no conceito de sustentabilidade econômica, social e ambiental para gerar receita para a agricultura familiar da região. Prevê a entrega de 28 tratores e implementos para o trabalho de subsolagem, além do acompanhamento da EBDA, com oficinas tecnológicas, pesquisa e extensão rural, e da Adab, na parte relacionada à defesa fitossanitária. Um outro ponto do programa é a repactuação das dívidas dos agricultores junto aos agentes financeiros e a injeção de novos recursos para subsidiar as lavouras com novas tecnologias.

As ações do programa, que implicaram em investimento de R$3,5 milhões, tiveram como base análises realizadas durante o seminário Desafios da Cadeia Produtiva do Algodão, em agosto passado. O evento contou com a participação de produtores, além de representantes da Seagri, Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Adab), bancos do Nordeste e do Brasil, Codevasf, Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Fundação BA, Embrapa, Fundeagro, Associação dos Irrigantes da Bahia (Aiba) e prefeituras.

A expectativa é de que sejam plantados 2.100 hectares, obtendo um resultado de 315 mil arrobas de caroço, sendo 2.300 toneladas de torta (adubo), 260 metros cúbicos de óleo bruto e 120 mil arrobas de pluma.

Kit produtividade

Podem participar do programa os produtores que disponham de até 90 hectares, sendo apenas três destinados ao cultivo de algodão. Os 700 agricultores dos municípios de Brumano, Guanambi, Iuiú, Livramento de Nossa Senhora, Malhada, Palmas de Monte Alto, Pindaí e Urandi receberão um kit produtividade, com 4,5 toneladas de sementes, produtos para controle fitossanitário, adubo, equipamentos de proteção individual, pulverizador de 20 litros e pluviômetros.   
Durante a solenidade, foi entregue um kit, de forma simbólica, pelo governador Jaques Wagner. De acordo com Getúlio de Souza Santos, agricultor familiar da localidade de Panela, município de Pindaí, hoje a esperança dos pequenos produtores que vivem do algodão foi renovada. “O mais difícil é controlar o bicudo – praga do algodão – e comprar os insumos para ter uma boa produtividade. O governo está nos proporcionando a solução para nossos problemas. Não há como não acreditar. Tudo que temos foi o algodão que nos deu”, contou.  

Hoje, Bahia é o segundo maior produtor de algodão do país, com uma área plantada de 302 mil hectares, sendo a região oeste responsável por 90% da produção. Essa hegemonia do oeste vem desde a década de 90, quando a cultura de algodão da região sudoeste entrou em crise. Na década de 80, o Vale do Iuiú chegou a ter 330 mil hectares de área plantada e com 47 usinas de beneficiamento na região.

Estiveram presentes o vice-governador, Edmundo Pereira; os deputados federais Nelson Pelegrino e Daniel Almeida; os deputados estaduais João Bonfim, Artur Maia e Valdenor Pereira; o secretário de Relações Institucionais, Rui Costa; o presidente da EBDA, Emerson Leal; o diretor-geral da Adab, Altair Santana; o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário, Wilton Cunha; o superintendente regional do Banco do Brasil, Paulo Tadeu; o superintendente do Banco do Nordeste, Nilo Maira Filho; o presidente da Fundeagro, Izelino Carvalho; o presidente da Aiba, Humberto Santa Cruz; o presidente da Abapa, Walter Horita; a superintendente do Ministério da Agricultura, Maria Delian Gomes; o ex-ministro Prisco Viana, prefeitos da região, entre outras autoridades. 


Ascom/ Seagri
Manuela Matos – 22.10.07