PF descobre fraude na produção de leite

23/10/2007

PF descobre fraude na produção de leite

 

A Polícia Federal (PF) prendeu, ontem, 27 pessoas e desarticulou um esquema de crimes contra a saúde pública por meio da adição de substâncias químicas não permitidas ao leite longa vida, o que o tornava impróprio para consumo.
Conforme as investigações doMinistério Público Federal (MPF), a Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), em Uberaba, e a Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), em Passos, são suspeitas de acrescentar ao leite soda cáustica (hidróxido de sódio) e água oxigenada (peróxido de hidrogênio).
As substâncias, de acordo com a PF, eram diluídas em água – junto com outras, como citrato de sódio e ácido cítrico –, numa proporção de 10% do total, e usadas para aumentar a longevidade do produto, reduzindo sua acidez. O MPF alertou que as substâncias, se utilizadas em desacordo com os parâmetros químicos indicados, “podem se transformar em poderosos agentes cancerígenos”.
Como parte da Operação Ouro Branco, foi determinado o recolhimento de amostras de leite longa vida em todo o País. Segundo a PF, o produto adulterado era revendido pelas cooperativas para empresas como Parmalat e Calu, entre outras, que comercializavam o produto em embalagens próprias em todo território brasileiro. Procuradas pela reportagem, a Parmalat e a Calu negaram em nota adquirir leite dessas cooperativas.
“Não há como, hoje (ontem), recolher todo o produto que está no mercado, porque as empresas recebem leite de várias cooperativas.
Não há como saber, sem antes fazer uma análise, se o leite que está sendo vendido é impróprio para o consumo humano”, observou o procurador Carlos Dumont.
A produção diária das cooperativas chegava a 400 mil litros (250 mil da Casmil e 150 mil da Coopervale).
As Promotorias de Defesa do Consumidor em Uberaba e Passos determinaram a suspensão da produção e a apreensão dos estoques.
“Dependendo das novas análises, a decisão pode ser mais abrangente”, diz o promotor Cristiano Cassiolato, referindo-se a uma eventual medida que leve à retirada de produtos das lojas.

Bahia

O presidente da Associação Bahiana de Supermercados (Abase-BA), José Humberto Sousa, aguarda a identificação dos produtos para tomar as primeiras providências.
“Assim que os órgãos fiscalizadores mandarem nota solicitando a devolução, com o número do lote dos produtos, a associação solicitará o recolhimento de todo o leite”, disse. Ele salientou ainda que não é possível afirmar se o leite adulterado em Minas entrou no mercado baiano.
Poucos consumidores baianos sabiam, na tarde de ontem, da adulteração ocorrida no leite longa vida. As donas-de-casa ficaram preocupadas com a contaminação.
“Eu sempre fervo o leite. E olho na embalagem quantas vezes ele foi processado”, diz Zenaide Lima, assessora comercial, que comprava leite em uma delicatessen.
A funcionária pública Edite Moreira sabia da operação. Ela disse que irá aumentar a atenção na hora de comprar o leite. “Eu sempre verifico as embalagens e vou observar a divulgação das marcas adulteradas para deixar de comprar o produto”, afirmou.
Já a estudante Naiana Casim não pretende comprar leite longa vida caso a adulteração seja confirmada.
“Eu não tenho como avaliar se o leite esta adulterado”, disse. A funcionária pública Ana Maria Andrade acredita que a solução é esperar informações das empresas que compraram o leite adulterado.
“Por enquanto, vou procurar uma marca de maior confiabilidade”