Suínos valem mais do que boi e frango

23/10/2007

 Suínos valem mais do que boi e frango

 

O aumento da demanda e dos preços dos insumos elevaram as cotações das carnes no Brasil. Ao mesmo tempo, o incremento nos valores pagos por um dos produtos de proteína animal acaba também por elevar os demais. Em outubro, o produto mais valorizado foi o suíno - 12,6% a mais. No ano, quem está ganhando é o produtor de frango: variação de 35% nas cotações, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). "A alta das carnes é basicamente de demanda", afirma Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado. Pelos cálculos da consultoria, o preço do frango ao produtor está 20,27% superior, o do boi 19,77% e o do suíno 16,65%, no acumulado do ano. Segundo o analista, a maior variação no frango ocorre porque o produto estava com cotações muito baixas em 2006. Na sua avaliação, que mais determina os valores superiores é a carne bovina - as outras vão "a reboque".

Molinari explica que no caso dos bovinos há uma situação de ciclo - falta de gado para abate e alta do bezerro - aliada a uma demanda maior (externa e interna). No caso das outras duas proteínas animais, em sua avaliação, é uma situação de demanda. "É claro que o milho e a soja estão mais caros que em relação ao ano passado, mas não posso dizer que eles sozinhos são responsáveis pelos preços mais altos das carnes", afirma Molinari. "Teoricamente o frango e o suíno sofrem maior reflexo da alta do milho e da soja. Mas não da mesma forma, porque o ciclo de produção do frango é menor", diz José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP. De acordo com dados do Cepea/USP, de julho até outubro o preço do milho subiu 42% e o do farelo de soja 50,4%. No mesmo período, as cotações do suíno foram 41,5% superiores e as do frango, 6,8%. "O produtor que não tem estoque vem perdendo poder de compra com esta diferença", conclui Tiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea/USP.

No mês: Ter uma valorização superior às demais carnes em outubro não significa, no entanto, ganhos maiores aos produtores de suínos, de acordo com representantes do setor e analistas. "O que aumentou não foi para o nosso bolso, foi para compensar o preço dos insumos", reclama Rubens Valentini, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). Carvalho diz que o preço do suíno atualmente, em muitos casos, empata com o custo de produção e, em outros o produto está pagando o prejuízo passado. "Apesar de atividade ter preços altos, não está bem", afirma o pesquisador do Cepea/USP.

Para ele, os patamares mais elevados da carne se devem a uma oferta ajustada. Carvalho acrescenta também a demanda para as festas de final de ano. O presidente da ABCS acredita que os níveis atuais não devem retroceder de forma significativa, uma vez que, segundo ele, os insumos não vão voltar a ficar baratos. "Há um novo patamar, devido à bioenergia, fazendo com que os alimentos para os animais encareçam e o consumidor terá de desembolsar mais. É no mundo todo", afirma. Na contramão das demais carnes, a do frango teve retração ao produtor - diferente do atacado. De acordo com Carvalho, como as exportações da carne não foram boas em setembro, teria sobrado produto no mercado interno. Segundo dados do Cepea/USP a disponibilidade interna de frango 9,3% maior no mês passado em relação a agosto.